sexta-feira

broken towers

Conspirators among my holes
By the bastards who pierce the souls
Castrators by the current worlds
I should hate pretty girls
Grey toxins round the city
Fired harrows burn the trees
Tick-tacking clocks of life
Smacked face of wife
Cutting flowers that bloom
In the name of God or whom?
No place for white flags
Urban wars write the tags
Every being breaths to die
As the broken life of a fly
Nature’s empire in papers’ smile
Maniac Tuesday stops for a while.

na forca

Célula espia mitocondrial
substância de tortura mental
na absurda fragilidade carnal
tem ódio por amor integral.
Amarrados os olhos e a boca
por luz negra a escura touca
em corda que seja rouca
amar o ódio, com justiça louca.
E se na Roda é lançada,
a sorte da alma coitada
a que carne não seja poupada
síndrome de Intifada.
Deita a carta: é o Dependurado
na fortuna do monstro atado
lavaram as pintas do dado
e o próprio Diabo vai enforcado.

cacofonia em sol menor

Carolina, cor de castanho chocolate em qualquer tamanho, tabaco, cigarros e cigarrilhas, cigarras patas nas patilhas. Bombocas crocantes, rolam escadas rolantes, tropeçam nas carambolas, amolam as molas. Caramelos as acompanham Nas rodelas que arranham, bicas de cafés, nos bicos dos pés. Cravos em canhões E comboios de gamões Levam cabras em carga Bebem cachaça amarga. Em copos de cristal, Salgueiros dão sal. Crime de catanas, Nas planícies planas, As caras de Caeiro, nas sobras dum sobreiro, na Pessoa de Fernando, andarilhos andando. O que canta Cássia, essa flor de acácia, com as bocas de carbonos, em tempos de Cronos. Quadros de cavalos, com talas de talos, e corvos piam cólicas, corujas pensam acólitas. Carimba os meus recados, põe telhas nos telhados, faz sexo de cabeça, em carta que não aborreça, Liga máquina mecânica, quanta cinética na quântica, faz bolos de bolor, Cacofonia em Sol Menor.

corrimento

Numa bela noite dum sonho profundo
com um tom de quase erótico,
liga alguém e pergunta acordei-te?
e pensa-se como não ser neurótico?
Numa bela noite de saída nocturna
a frequência é quase sanitária,
vem a menina descarregar-se
como lavatórios de malária
Numa manhã depois de tais noites,
uma vozinha faladora come a mioleira,
perguntando que cara é a tua
e o porque da senhora olheira
Em qualquer dia comum e mortal,
há quem prefira o eufemismo,
fala de gordo dizendo que é forte
ou que o gay tem um certo maneirismo
Em qualquer paragem de autocarro,
surge a encarnação da mania,
entre a sua gigante paranónia
sugere-te como salvação, a terapia
Ainda vem a pessoinha,
que nenhuma opinião dá .
Normalmente, o tu-é-que-sabes
ou o-que-tiver-que-ser-será
E se ainda tiveres a sorte,
de estar em Portugal,
todas estas continhas
irão em forma exponencial.

antros e afagos

Quando comi a tua pele não soube a nada... Trinquei-te o fundo das carnes e não me soube a nada... O perfume sim! largado do sangue, cheirou-me a podre. Procurei em ti todos os cheiros semelhantes, aqueles que emanam da tua sentida decadência. Tentei depois tocar: furar fundo com os dedos as partes sobrantes... não senti nada à excepção do cansaço de sonhar esfaquear alguém como se fosse à colherada. Daí extrai tecidos moles e líquidos espessos. Guardei-os em sete frascos distintos com os nomes: Soberba, Inveja, Ira, Preguiça, Avareza, Gula e Luxúria. Por uma semana contemplei, intriguei, olhei, cheirei, provei e analisei cada um deles... mas nada descobri. E dessa carnívora procura na ausência do teu ser, e depois de tantos retalhos apenas lamentei não poder ter-te engolido de um só trago para que sempre estivesses dentro de mim.

secreto

Em cada pedra um segredo de deus:
Eu, pessoalmente, eu, nunca conheci deus
Perguntei-me porque raios nunca me teria sido apresentado
Desconheço as suas feições, nem visto nem achado
embora imaginando umas grandes barbas maquinais
Não sei porque escrever tal nome em maíusculas capitais
da mesma forma porque não se invoca o seu nome em vão...
De tais imanentes suposições deduzo que será admirável
Talvez de tão poderoso possa também ter algo de perigoso
de tão desconhecido quanto famoso
acredito que seja magnânime e respeitável
Acham que posso chamá-lo para esta conversa e falar daquilo que a nós nos interessa?

magneto

Dois astros e um corpo, um corpo celeste em dois astros. Corpos de ninfeta, de musa, de capeta, de águia-lusa... Nunca olhei o meu corpo e sempre preferi ver o teu. Tu que és celeste, do Universo inteiro só te quero a ti! És vermelho com açafrão e danças a poesia que escrevo. Olhos pretos no meu negro ser, és sabor de metal com flores. Todo o ferro que um estrela tem, mais o ferro que a terra contém não cabem em palavras que descrevam toda e cada uma das tuas magnéticas propriedades. Plasma-me sempre e quando puderes.

ave rara

Toda a gente é carne, eu sou gente... toda a forma tem música, eu sou forma todo o ser tem poesia, eu sou. - porque toda é guerra é um fenómeno proto-patético- Não é do palato comer-se massa com pão, nem da anatomia roer os seus próprios cotovelos, nem da física ver-se ao espelho de costas... Toda a gente a matar todas as pessoas, eu não quero ser gente Niguém é perfeito por definição, eu defino-me pela perfeição Nenhum animal se pica duas vezes na mesma cobra, eu sou animal...e ser-se humano é coisa de Ave Rara

o equilibrista

Fio presente de vida, a linha conduta da nossa soberania, fino como agulhas. o equilibrista circense nele se coloca dançando e saltando, em permanente insegurança externa guiado apenas pela tocha da entranha superior. encarnado em gladiador se debate contra a Situação contando apenas com a Vontade. nada tem de mais...nada é a mais.... apenas vive, apenas é. o Fado incerto em si mesmo já nem as premonições lhe conta, nada lhe confessa, tudo fará pelas suas próprias mãos. se queres algo bem feito fá-lo tu mesmo.nunca olha por cima do ombro, nunca ergue a cabeça demasiado alto, olha em frente. treme e anda. chora e se consola. levanta-se e segue em frente. exbicionista. mostra-se à Dama de Copas e combate o Cavaleiro de Gládios, com poucas armas segue em diante. somente o ar que respira e roupagens que leva no corpo. o equilibrista, tão somente esse solitário que sonha. esse que aspira a algo mais. esse que faz vibrar que faz amar. ele que apenas conta consigo e com o fino fio presente de vida. sabe como é a volúpia da dor quer agora a volúpia do amor.liberto de amarras balança ao vento. por entre as brumas da memória nada vê na sua frente. quando encarnado em gladiador se opera a metamorfose decisiva. munido do bastão e do sabre luta com magnimidade contra feras, contra bestas, contra máquinas. a Situação verga-se frente a Vontade. obstinado e ferido tem mais força que 100 homens de vez. no seu caminho se colocam as contrariedades mas sua ninfa Glória, espera de coração aberto. e eis que se entrega a aventura, tudo parece perdido. no barco torto cede ao cântico das sereias, carpido pelo sol e pelo sal. amarrado ao frio poste prossegue viagem. avisa seus companheiros dos perigos que testemunha, traz ao mundo uma nova espiritualidade, visto como louco e ainda ignorado prepara-se para a transmutação final. mas que será da Vontade perante um Eros maior? (continua)..