Ler alguém é:
Um exercício simples?
Permite-nos dividir
Garante-NOS
Porque é a mesmíssima
Leitura do EU
Escrever alguém é:
Um exercício complexo?
Permite-nos multiplicar
Exige-nos a criação
Uma Escritura
Ler alguém no que se
Escreve
Ou
Escrever alguém no que se
Lê
É dar e tirar a vida num só acto
É poder e saber num só instante
Ser homem livre e governar como deus
É observar neste plano de imanência
A soberania do ser-outro
É o jogo dos ousados
Numa província de medos
A raiz do amor em si mesmo
É sujeitar-se obedecendo
É objectar desobedecendo
É o reflexo sufixado do eu-só
sexta-feira
terça-feira
bicho-da-seda
estiquei o olho para fora
do casulo para ver
se via o bicho-torrão
o mau da fita´
tinha-me dado um extorsão muscular...
nas distrofias dos ardores
não nos devemos deixar
arrastar como uma mera lagarta
quando estávamos na fábrica
da seda ao lado das vitrines
de cogumelos do Vietname
tínhamos aulas kantianas
"A fundamentação metafísica das minhoquices"
centenas e centenas de anos
a resistir aos maoísmos virulentos
ensinaram-nos a desprezar
as calúnias infundadas
"Não me metas minhocas na cabeça"
associação excomungada das larvas
na carola morta de alguém
pois que na malvada
prossegue a vida
o bicho explorado
dá seda
e seu casulo é comestível
mesmo lá longe
nas terras dum Apocalipse
do casulo para ver
se via o bicho-torrão
o mau da fita´
tinha-me dado um extorsão muscular...
nas distrofias dos ardores
não nos devemos deixar
arrastar como uma mera lagarta
quando estávamos na fábrica
da seda ao lado das vitrines
de cogumelos do Vietname
tínhamos aulas kantianas
"A fundamentação metafísica das minhoquices"
centenas e centenas de anos
a resistir aos maoísmos virulentos
ensinaram-nos a desprezar
as calúnias infundadas
"Não me metas minhocas na cabeça"
associação excomungada das larvas
na carola morta de alguém
pois que na malvada
prossegue a vida
o bicho explorado
dá seda
e seu casulo é comestível
mesmo lá longe
nas terras dum Apocalipse
sábado
meu querido diário
neste diário não deixo os factos, deixo os relatos:
vou-me na epifania
deixo a maresia
vou nas palavras
deixo as amarras
vou-me no sono
deixo o tomo
vou-me vazia
deixo a Sofia
vou-me na Ângela
não rimo com nada
tanto tempo a tentar esquecer
dei por mim a não lembrar mais
a achar que não tinha por nada
o que o dado esquecido teve
nas gavetas da prateleira
primeira divisão da esquadra
direita da escrivaninha ABC
não tinha nada
encontrei algo
quando se encontra algo é
como montar as cavalitas do avô
como usar saias brancas de pintas vermelhas
como ir aos repuxos de água do jardim bebendo sôfregos
como lembrar os romances esquecidos da bonecas de trapos
como lembrar as brincadeiras de neve e as dos comboios esmagando moedas
lançando foguetes em carris
é como lembrar isto tudo
se esta fosse a exacta verdade
que
se esta fora então
teria de dizer que é como
lembrar o avô louco de Alzheimer
senhor alemão que fugiu do hospício pinhal afora
e a avó partindo lhe a cadeira na cabeça
seria lembrar perder as pernas nas brincadeiras estúpidas
fugindo dos comboios em pontes metálicas
seria como lembrar as amigas e amigos
com quem nunca mais queremos falar
seria lembrar que queríamos mesmo esquecer
mas a poesia foi feita para:
tratar as epifanias.
não para fazer as terapias
porque se assim fosse
ninguém quereria ouvir-me
eu teria de pagar ao público
para cuidar de mim
assim descuidam-me de outra forma
mortalizando os meus relatos
porque ao diário não deixo factos
tanto tempo levei a tentar esquecer
que agora já não consigo lembrar
vou-me na epifania
deixo a maresia
vou nas palavras
deixo as amarras
vou-me no sono
deixo o tomo
vou-me vazia
deixo a Sofia
vou-me na Ângela
não rimo com nada
tanto tempo a tentar esquecer
dei por mim a não lembrar mais
a achar que não tinha por nada
o que o dado esquecido teve
nas gavetas da prateleira
primeira divisão da esquadra
direita da escrivaninha ABC
não tinha nada
encontrei algo
quando se encontra algo é
como montar as cavalitas do avô
como usar saias brancas de pintas vermelhas
como ir aos repuxos de água do jardim bebendo sôfregos
como lembrar os romances esquecidos da bonecas de trapos
como lembrar as brincadeiras de neve e as dos comboios esmagando moedas
lançando foguetes em carris
é como lembrar isto tudo
se esta fosse a exacta verdade
que
se esta fora então
teria de dizer que é como
lembrar o avô louco de Alzheimer
senhor alemão que fugiu do hospício pinhal afora
e a avó partindo lhe a cadeira na cabeça
seria lembrar perder as pernas nas brincadeiras estúpidas
fugindo dos comboios em pontes metálicas
seria como lembrar as amigas e amigos
com quem nunca mais queremos falar
seria lembrar que queríamos mesmo esquecer
mas a poesia foi feita para:
tratar as epifanias.
não para fazer as terapias
porque se assim fosse
ninguém quereria ouvir-me
eu teria de pagar ao público
para cuidar de mim
assim descuidam-me de outra forma
mortalizando os meus relatos
porque ao diário não deixo factos
tanto tempo levei a tentar esquecer
que agora já não consigo lembrar
Pessoa
Por falar em Francês
Vi a pessoa que entrou
Seu vinagrette desamarelado
Verbavando Seu Rimbaud
Por falar em Francês
Vi une pessoa re-alaranjada
Sua Cointreau imperial
Parecia bem-apeçonhada
Por falar em Francês
Vi a pessoa que matou
Seu aspirador-projéctil
Poésie à la cozinha Artaud
Por falar na pessoa
Vi um francês no plateau
Pegando a Poésie-ventríloca
Foi ele que personne matou.
Vi a pessoa que entrou
Seu vinagrette desamarelado
Verbavando Seu Rimbaud
Por falar em Francês
Vi une pessoa re-alaranjada
Sua Cointreau imperial
Parecia bem-apeçonhada
Por falar em Francês
Vi a pessoa que matou
Seu aspirador-projéctil
Poésie à la cozinha Artaud
Por falar na pessoa
Vi um francês no plateau
Pegando a Poésie-ventríloca
Foi ele que personne matou.
quarta-feira
Terra do Antes
Lá na terra do antes
O amarelo formava o pano de contra-mão
Lá na terra do antes
Os terraços afundavam sem ver o furacão
Lá na terra do antes
Os pedaços de ninguém eram logo do chão
Lá na terra do antes
Os amassos eram mercados de doce mamão
Lá na terra do antes
As galinhas comiam caviar mingau de pão
Lá na terra do antes
O depois foi surrado e morto pelo Então
Lá na terra do antes
Tudo desmoronava se tomava sim com não
O amarelo formava o pano de contra-mão
Lá na terra do antes
Os terraços afundavam sem ver o furacão
Lá na terra do antes
Os pedaços de ninguém eram logo do chão
Lá na terra do antes
Os amassos eram mercados de doce mamão
Lá na terra do antes
As galinhas comiam caviar mingau de pão
Lá na terra do antes
O depois foi surrado e morto pelo Então
Lá na terra do antes
Tudo desmoronava se tomava sim com não
navegando à distância
Navio naufragado do amor
Não parte é glória quente
Os peixes brotavam do mar
Como fios de coral da serpente
Oh sereia do mar: meu canto
Teceu sua roupa mais íntima
Como teceria a pele carnuda
Deste pulsante coração
Quem me vem desgovernado
Sem medida para amamentar
As bocas da vida dos amantes
Toda as tropas de luar
Por todos se fazem querer
Me fazem querer andar
Sem dizer aos informantes
Este é meu naufragar
Não parte é glória quente
Os peixes brotavam do mar
Como fios de coral da serpente
Oh sereia do mar: meu canto
Teceu sua roupa mais íntima
Como teceria a pele carnuda
Deste pulsante coração
Quem me vem desgovernado
Sem medida para amamentar
As bocas da vida dos amantes
Toda as tropas de luar
Por todos se fazem querer
Me fazem querer andar
Sem dizer aos informantes
Este é meu naufragar
terça-feira
Do lugar
Vai para um lugar
Onde a largura supere o comprimento
E os cumprimentos todos
Eles desnecessários
Superem a altura dos teus contrários
E onde os contrariados
Todos eles necessários
Superem a profundidade dos seus cenários
E onde os cénicos desprovidos de contexto
Superem os santos dos seus relicários
E onde as relíquias com seu pretexto
Alcancem os seus deuses
Dos seus próprios imaginários
Vai para um lugar
Onde não estejas.
Sejas.
Onde a largura supere o comprimento
E os cumprimentos todos
Eles desnecessários
Superem a altura dos teus contrários
E onde os contrariados
Todos eles necessários
Superem a profundidade dos seus cenários
E onde os cénicos desprovidos de contexto
Superem os santos dos seus relicários
E onde as relíquias com seu pretexto
Alcancem os seus deuses
Dos seus próprios imaginários
Vai para um lugar
Onde não estejas.
Sejas.
A estocástica ficção duma polpa de tomate
E a polpa perguntou:
se o cano for canónico,
a cona é cónica?
Logo
o coma é cómico
logo
a cola é cólica
logo
é lógico?
Ele é trigo
Joio de vivre
Crónica de Portugal
(des) composto
Nome começamos por D
Todos em Linha
Canetas Roxas
Unhas avermelhadas
Duas riscas de luz
7 tiros na Torre
Uma grande avestruz
Mostarda
No sofá
No banco
Na mesa na cadeira
Esparguete com camarão
E a polpa de tomate?
A noite foi dura
Morte de Jane Grey
Tarântula criatura do Lago
- Get Carter -
Massys, Vermeer, Delaroche
I coca so cógita
“Padeceu de paixão ilíaca”
Se eu me vier
Logo vómito
L’Elixir du Mont St. Michel
Le Rhum St. Christophe
La Route de Saint Gapour
E polpa de tomate?
Não se aceite da mãe
A lata da Deeta
Pérola e cigarros
- Revival nights -
AF Inc.
Numa fábrica escondida
Em qualquer Texas
A fachada é a indústria
Duma Polpa de tomate
se o cano for canónico,
a cona é cónica?
Logo
o coma é cómico
logo
a cola é cólica
logo
é lógico?
Ele é trigo
Joio de vivre
Crónica de Portugal
(des) composto
Nome começamos por D
Todos em Linha
Canetas Roxas
Unhas avermelhadas
Duas riscas de luz
7 tiros na Torre
Uma grande avestruz
Mostarda
No sofá
No banco
Na mesa na cadeira
Esparguete com camarão
E a polpa de tomate?
A noite foi dura
Morte de Jane Grey
Tarântula criatura do Lago
- Get Carter -
Massys, Vermeer, Delaroche
I coca so cógita
“Padeceu de paixão ilíaca”
Se eu me vier
Logo vómito
L’Elixir du Mont St. Michel
Le Rhum St. Christophe
La Route de Saint Gapour
E polpa de tomate?
Não se aceite da mãe
A lata da Deeta
Pérola e cigarros
- Revival nights -
AF Inc.
Numa fábrica escondida
Em qualquer Texas
A fachada é a indústria
Duma Polpa de tomate
Da condição
Se a flecha da vida em nada te satisfaz
Se o moinho da Boémia água cereal traz
Se a inércia da física a nada te conduz
Se a ânsia paragem o dilema te seduz
Se no lume molhado a chama descende
Se no vértigo desmoído o fio se desprende
Se da carroça desgovernada o boi não se retarda
Se no baixo insonor a palheta não se agarra
Se o credo do trabalho ao aro não acorre
Se no caderno diário o roto nada foge
Se o andar condicionado na rua não fica
Se a tua vida em nada pratica
É porque o nada com nada se desfaz
Espera!
Eventualmente morrerás.
Se o moinho da Boémia água cereal traz
Se a inércia da física a nada te conduz
Se a ânsia paragem o dilema te seduz
Se no lume molhado a chama descende
Se no vértigo desmoído o fio se desprende
Se da carroça desgovernada o boi não se retarda
Se no baixo insonor a palheta não se agarra
Se o credo do trabalho ao aro não acorre
Se no caderno diário o roto nada foge
Se o andar condicionado na rua não fica
Se a tua vida em nada pratica
É porque o nada com nada se desfaz
Espera!
Eventualmente morrerás.
Tic-tac c'est tactique
Oh Tic-tac:
You make so táctil
…
Onde estava o tempo
Quando a hora veio embora
Quanta flor-de-minuto
Se este espinho me demora
Quanto pau dessa arara
Voa na linha de prata
Onde estava o espaço
Quando o tempo veio agora
Quanta espada-meto-à-cinta
Se essa régua me esfola
Quando a coça dessa vara
Espalha o sangue da lata
Onde foi o relógio da rosa
Dos ventos da mata
Tic-tac chicote de tempo
Erva daninha brota do cio
Tic-tac do gato-grilo
Palha suja baixo o mio
Tic-atc unhas na carne
Som desgarrado no frio
Tica-tac de neve caindo
Lago segundo de arrepio
Onde estava o anel desflorado,
Quando o tempo me largou no altar?
Quanta era o broto de laranjeira,
Onde a inocência me deixou escapar?
Se o tempo e o lugar
Fogem em dois tempos e em três passos
Vai por aí
Como quem vai
No outro tempo do outro lugar
...
Eles me fazem
Tactique
You make so táctil
…
Onde estava o tempo
Quando a hora veio embora
Quanta flor-de-minuto
Se este espinho me demora
Quanto pau dessa arara
Voa na linha de prata
Onde estava o espaço
Quando o tempo veio agora
Quanta espada-meto-à-cinta
Se essa régua me esfola
Quando a coça dessa vara
Espalha o sangue da lata
Onde foi o relógio da rosa
Dos ventos da mata
Tic-tac chicote de tempo
Erva daninha brota do cio
Tic-tac do gato-grilo
Palha suja baixo o mio
Tic-atc unhas na carne
Som desgarrado no frio
Tica-tac de neve caindo
Lago segundo de arrepio
Onde estava o anel desflorado,
Quando o tempo me largou no altar?
Quanta era o broto de laranjeira,
Onde a inocência me deixou escapar?
Se o tempo e o lugar
Fogem em dois tempos e em três passos
Vai por aí
Como quem vai
No outro tempo do outro lugar
...
Eles me fazem
Tactique
sexta-feira
o som de fundo interfere na minha televisão
tudo tem um fim?
excepto talvez a própria existência, de tudo, da vida, da coisa
poderíamos ter inexistência
não-ser
uma contradição hegeliana
ou uma lei bioquímica
ou postulado termodinâmico
porque a entropia deste universo
tende a aumentar
e a vida organiza-se pela maior desordem em seu torno
o Caos, esse primordial deus helénico, o protogono primeiro
está no entorno da vida mas não como desordem pura
é que a vida nasce da geração crescente de liberdade
e o nada na variação de espontaneidade gerou
aleatoriamente cisões
como quando se separam dois quarks e eles voltam
ou com muita força geram mais dois
a primeira cisão de Nix, o ovo cósmico
e Erebus, a escuridão
nos órficos
o vácuo, a matéria negra
e depois da cisão, a união
nascem os gases, a luz
e o que conhecemos mais?
pouco mais do que já era...
ou seja sabemos desde diversas teogonias
as metáforas da
perceber a origem de vida
mas e a finalidade da vida?
não seria de esperar ou é tão espontâneo que não tem fim?
ou dizer que não há variação de espontaneidade
seria provar a própria existência de deus?
ou não se coloca questão à Roda nem ao Fio
porque não somos moiras e essa tarefa está acima de nós?
e só os que desceram como Orfeu e voltaram
e os que como Morfeu podem moldar
são atravessados pelo som de fundo
e sabem o que vai dar na televisão
excepto talvez a própria existência, de tudo, da vida, da coisa
poderíamos ter inexistência
não-ser
uma contradição hegeliana
ou uma lei bioquímica
ou postulado termodinâmico
porque a entropia deste universo
tende a aumentar
e a vida organiza-se pela maior desordem em seu torno
o Caos, esse primordial deus helénico, o protogono primeiro
está no entorno da vida mas não como desordem pura
é que a vida nasce da geração crescente de liberdade
e o nada na variação de espontaneidade gerou
aleatoriamente cisões
como quando se separam dois quarks e eles voltam
ou com muita força geram mais dois
a primeira cisão de Nix, o ovo cósmico
e Erebus, a escuridão
nos órficos
o vácuo, a matéria negra
e depois da cisão, a união
nascem os gases, a luz
e o que conhecemos mais?
pouco mais do que já era...
ou seja sabemos desde diversas teogonias
as metáforas da
perceber a origem de vida
mas e a finalidade da vida?
não seria de esperar ou é tão espontâneo que não tem fim?
ou dizer que não há variação de espontaneidade
seria provar a própria existência de deus?
ou não se coloca questão à Roda nem ao Fio
porque não somos moiras e essa tarefa está acima de nós?
e só os que desceram como Orfeu e voltaram
e os que como Morfeu podem moldar
são atravessados pelo som de fundo
e sabem o que vai dar na televisão
quinta-feira
a quanto está lã?
8 quilos é o peso da excrescência
que vai fora ao beco com um balde
leva-me num carrinho de mão e deita-me fora também...
tudo o que está a mais do que definido como menos é inútil
e tudo o que seja um instrumento de trabalho do teu ser é útil
para que cresça grande e forte e robusto
sê uma ovelha branca e pastosa e leva-te
com o teu cão de guarda que te oriente bem
até que te enterre os dentes no lombo
bem espero que o faça
sou primário e essencialista - eu sou o lobo
admito a vingança e a cobrança, a cólera e o cio
abate-se em mim o infortúnio de ser forçado a admitir
tudo o que as outras peças de lã não admitem
abate-se-me dizer-se que as abato quando
elas só pastam e quando os pastores só lhes levam a lã
se calhar sou ovelha negra ronhosa na família dos gados
quando se abate e não se admite, dedico duas cuspidelas
e que as ovelhas não sejam abatidas mas que nunca mais tenham lã
depois de perdida a função, para que servem a quem só sabe servido?
e o servo desse servir saberá quanto me custa a mim a lã?
saberá alguma do pasto não seguir o cão de guarda?
saberá alguma não se render à tosquia nem à erva?
saberá alguma que não sabe nada com essa vida de gado?
que vai fora ao beco com um balde
leva-me num carrinho de mão e deita-me fora também...
tudo o que está a mais do que definido como menos é inútil
e tudo o que seja um instrumento de trabalho do teu ser é útil
para que cresça grande e forte e robusto
sê uma ovelha branca e pastosa e leva-te
com o teu cão de guarda que te oriente bem
até que te enterre os dentes no lombo
bem espero que o faça
sou primário e essencialista - eu sou o lobo
admito a vingança e a cobrança, a cólera e o cio
abate-se em mim o infortúnio de ser forçado a admitir
tudo o que as outras peças de lã não admitem
abate-se-me dizer-se que as abato quando
elas só pastam e quando os pastores só lhes levam a lã
se calhar sou ovelha negra ronhosa na família dos gados
quando se abate e não se admite, dedico duas cuspidelas
e que as ovelhas não sejam abatidas mas que nunca mais tenham lã
depois de perdida a função, para que servem a quem só sabe servido?
e o servo desse servir saberá quanto me custa a mim a lã?
saberá alguma do pasto não seguir o cão de guarda?
saberá alguma não se render à tosquia nem à erva?
saberá alguma que não sabe nada com essa vida de gado?
sexta-feira
metáfora do espelho
um ovo chocado por um cão disfarçado de podólogo
brincava com o gato que gostava mais
fazia-lhe tranças nos cabelos que não tinha
por arrancados mas como se fossem colar
ofereceu-o à fada dos dentes perdidos
que trabalhava para os chineses
os pendentes pareciam olhos arrancados
do algodão branco, era ele lavado de neve
fugiu para as amoras doces
o corpo e a boca bordavam
rasgados os gessos às cores
para não tocar no collant rasgado
no século XVIII os abanicos
pareciam pompoms revirados
como numa aula à saída ir jogar à apanhada
um ballet fazia meninas doces
vez uma
era
uma vez
um vez um, um
um vez dois, dois
brincava com o gato que gostava mais
fazia-lhe tranças nos cabelos que não tinha
por arrancados mas como se fossem colar
ofereceu-o à fada dos dentes perdidos
que trabalhava para os chineses
os pendentes pareciam olhos arrancados
do algodão branco, era ele lavado de neve
fugiu para as amoras doces
o corpo e a boca bordavam
rasgados os gessos às cores
para não tocar no collant rasgado
no século XVIII os abanicos
pareciam pompoms revirados
como numa aula à saída ir jogar à apanhada
um ballet fazia meninas doces
vez uma
era
uma vez
um vez um, um
um vez dois, dois
contrário ao leme
maiores mamas as tem
quem sempre ganha
que amor, graça tem,
as mulheres todas de...
e desamor de crueldade de amor
meu
metades duas
ódio
e amor são
se sei
não e leva-me onde sei
não indolente voo este
ausência tua na que diz-me
só amor meu
ódio e amor do lado outro
p
desfaz-se descarnado metade
há amor um quando
é amor meu
amor de metade outra
ajunto
corra ele que queres
não se jorre sangue nosso
o que queres não se alado demónio
amarras as
solta-me
montanha
na
sozinho paga, submundo, ao amor do raio
o dar atreveu-se que prometeu
este
afrodite te explodi
depois exalei
depois acendi-te
depois respirei
primeiro
acontecer isso foi como
e... metano nu fósforo
de
e oxigénio nu chama
de se consumiu molhado
costa dá largo ao passo
que este amor o é
ser, não poder, não por, é apenas
e é que o tudo que pocilga na
encharque-me que até divagando aí
por vou eu que correr-me
deixa e normal de e paranormal
de sobnatural de
e sobrenatural de relativo
e absoluto de coisa
qualquer menos
sê perdão ou me condeno
imposto desapareciemnto ou te condeno
espião
um ser me condeno vida minha
na inexistência há
te condeno amado
menos ou mais
forte
menos baixo
mais ser a comanda-me
presença tua
amas
tresanda pocilga a ausência
tua na que terra
da coroa impuseste-me
sol de raio que sei não
que é me liberta
mas sente
cora
chora
implora
nasce
morre
te fuga
foge
voa
te muda
sai
ti
detenho como quadratura
em lua e sol
do tenho raiva tanta
e tempo mesmo ao amor
meu
o com criar
e destruir de poema
no como ácidos
em te desfigurar
de ponto ao tanto
odeio
e amo-te
não sabe quem revoltas
as
inodor o desprezo-o
feidade a abstinência
a infelicidade a contracção -a
excursões as incursões
as voltas as
carinho o cheiro
o sexo o corpo -o
descontração -a
estilo-o
beleza
a ti
de tudo odeio
e ti em tudo adoro
deslambido aquele
é amor meu
amor de metade outra
minha
mas proibido
aquele é amor meu
amor de metade outra.
quem sempre ganha
que amor, graça tem,
as mulheres todas de...
e desamor de crueldade de amor
meu
metades duas
ódio
e amor são
se sei
não e leva-me onde sei
não indolente voo este
ausência tua na que diz-me
só amor meu
ódio e amor do lado outro
p
desfaz-se descarnado metade
há amor um quando
é amor meu
amor de metade outra
ajunto
corra ele que queres
não se jorre sangue nosso
o que queres não se alado demónio
amarras as
solta-me
montanha
na
sozinho paga, submundo, ao amor do raio
o dar atreveu-se que prometeu
este
afrodite te explodi
depois exalei
depois acendi-te
depois respirei
primeiro
acontecer isso foi como
e... metano nu fósforo
de
e oxigénio nu chama
de se consumiu molhado
costa dá largo ao passo
que este amor o é
ser, não poder, não por, é apenas
e é que o tudo que pocilga na
encharque-me que até divagando aí
por vou eu que correr-me
deixa e normal de e paranormal
de sobnatural de
e sobrenatural de relativo
e absoluto de coisa
qualquer menos
sê perdão ou me condeno
imposto desapareciemnto ou te condeno
espião
um ser me condeno vida minha
na inexistência há
te condeno amado
menos ou mais
forte
menos baixo
mais ser a comanda-me
presença tua
amas
tresanda pocilga a ausência
tua na que terra
da coroa impuseste-me
sol de raio que sei não
que é me liberta
mas sente
cora
chora
implora
nasce
morre
te fuga
foge
voa
te muda
sai
ti
detenho como quadratura
em lua e sol
do tenho raiva tanta
e tempo mesmo ao amor
meu
o com criar
e destruir de poema
no como ácidos
em te desfigurar
de ponto ao tanto
odeio
e amo-te
não sabe quem revoltas
as
inodor o desprezo-o
feidade a abstinência
a infelicidade a contracção -a
excursões as incursões
as voltas as
carinho o cheiro
o sexo o corpo -o
descontração -a
estilo-o
beleza
a ti
de tudo odeio
e ti em tudo adoro
deslambido aquele
é amor meu
amor de metade outra
minha
mas proibido
aquele é amor meu
amor de metade outra.
quinta-feira
Semillas sucumbidas a la luna
Bajo la luna fría
Por la noche
Vagueo buscando
Las semillas del algodón
Más blanco y puro
Para que me traiga
Alguien que no conozco
Bajo la luna calda
Por la noche
Me voy buscando
Las semillas del corazón
Puede que alguien las haya
Cogido e tomado
Para que se muera
En mi condición
Bajo la luna oscura
Por la noche
Estoy buscando
Las semillas en un rincón
Puede alguien estar allí
Esperando-me lloroso
Para que le bese los ojos
Y se coja mi perdón
Es que he sembrado
La oscuridad por la noche
Y ya no sé lo que busco
Ni nadie lo sabrá
Y me marcho por la calle
Temblando porque mis lagrimas
No más riegan las semillas
Aunque no paran de jorrar
Por la noche
Vagueo buscando
Las semillas del algodón
Más blanco y puro
Para que me traiga
Alguien que no conozco
Bajo la luna calda
Por la noche
Me voy buscando
Las semillas del corazón
Puede que alguien las haya
Cogido e tomado
Para que se muera
En mi condición
Bajo la luna oscura
Por la noche
Estoy buscando
Las semillas en un rincón
Puede alguien estar allí
Esperando-me lloroso
Para que le bese los ojos
Y se coja mi perdón
Es que he sembrado
La oscuridad por la noche
Y ya no sé lo que busco
Ni nadie lo sabrá
Y me marcho por la calle
Temblando porque mis lagrimas
No más riegan las semillas
Aunque no paran de jorrar
sopro de vida
quando o sopro da vida me tocou na face
e me deu a essência do lado fêmea
da árvore da vida
esqueceu-se de me dar a calma
quando o sopro da vida me tocou no tronco
e me deu a essência da tormenta
sobre o lago
esqueceu-se de me dar a sensatez
quando o sopro da vida me tocou na mão
e me deu a essência do fogo
sobre o metal
esqueceu-se de me dar a frieza
quando o sopro da vida me tocou no pé
e me deu a essência da marcha
dos fortes sobre o mundo
esqueceu-se de me dar a humildade
quando o sopro da vida me tocou nos lábios
e me deu a essência da soberania
sobre a carne e o éter
esqueceu-se de me dar a sobriedade
quando o sopro da vida me tocou na orelha
e me deu a essência das doze
cordas sobre a manta
esqueceu-se de me dar a ingenuidade
e quando o sopro da vida me insuflou a alma
com a essência do amor
universal e a bola de ouro
esqueceu-se de me dar a chave
é que o sopro da vida se deixou
levar e não me deu os artíficos
que as minhas sete essências podem alcançar
é quando o sopro voltar e me levar a vida
não me toma as essências
que ofereceu mas nem os artíficios
porque eles já não estarão lá
e me deu a essência do lado fêmea
da árvore da vida
esqueceu-se de me dar a calma
quando o sopro da vida me tocou no tronco
e me deu a essência da tormenta
sobre o lago
esqueceu-se de me dar a sensatez
quando o sopro da vida me tocou na mão
e me deu a essência do fogo
sobre o metal
esqueceu-se de me dar a frieza
quando o sopro da vida me tocou no pé
e me deu a essência da marcha
dos fortes sobre o mundo
esqueceu-se de me dar a humildade
quando o sopro da vida me tocou nos lábios
e me deu a essência da soberania
sobre a carne e o éter
esqueceu-se de me dar a sobriedade
quando o sopro da vida me tocou na orelha
e me deu a essência das doze
cordas sobre a manta
esqueceu-se de me dar a ingenuidade
e quando o sopro da vida me insuflou a alma
com a essência do amor
universal e a bola de ouro
esqueceu-se de me dar a chave
é que o sopro da vida se deixou
levar e não me deu os artíficos
que as minhas sete essências podem alcançar
é quando o sopro voltar e me levar a vida
não me toma as essências
que ofereceu mas nem os artíficios
porque eles já não estarão lá
terça-feira
Reify Me
When the wine is red
And the rhythm
Is blue
I loose my mind
And start digging you
Don’t know why
I have this groove
So please
Don’t beg my pardon
If you say no, no, no
Perform my show
Perform this show
And show me what you got
Don’t think you’re ready
For this fellow
Don’t theorize this time
It’s my, my, my business
It’s mine
Operate this thing
Wild thinking
Methodic girl
Metallic girl
Mechanic girl
I’m writing down
A lyric for you
Well, not yet, no
Scotch, scotch, scotch,
Oh, make me fool
Microphone,
Mike O’Phrone
Make a fun, fun, fun,
Call
A gun
A call
A fun
A taste
A booty
Call
Me, papi
Purple hurdle
Pink sweet
Purposely
In a think sink
Spectacle
Spectactor
Spectacularious
Hilarious
Aries haze
So funk, funk, funk
And the rhythm
Is blue
I loose my mind
And start digging you
Don’t know why
I have this groove
So please
Don’t beg my pardon
If you say no, no, no
Perform my show
Perform this show
And show me what you got
Don’t think you’re ready
For this fellow
Don’t theorize this time
It’s my, my, my business
It’s mine
Operate this thing
Wild thinking
Methodic girl
Metallic girl
Mechanic girl
I’m writing down
A lyric for you
Well, not yet, no
Scotch, scotch, scotch,
Oh, make me fool
Microphone,
Mike O’Phrone
Make a fun, fun, fun,
Call
A gun
A call
A fun
A taste
A booty
Call
Me, papi
Purple hurdle
Pink sweet
Purposely
In a think sink
Spectacle
Spectactor
Spectacularious
Hilarious
Aries haze
So funk, funk, funk
um arguto momento pelo -
pelo:
argumento da experiência
argumento da proporcionalidade
argumento do paradoxo in extremis
argumento da contradição de termos
argumento do exercício de poder
argumento do exercício do prazer
menos:
argumento da idade
argumento do paternalismo
argumento do princípio integral
argumento da crítica radical
argumento da política fraca
argumento da validade escrupular
1 argu tomo mento pêlo -
argumento da experiência
argumento da proporcionalidade
argumento do paradoxo in extremis
argumento da contradição de termos
argumento do exercício de poder
argumento do exercício do prazer
menos:
argumento da idade
argumento do paternalismo
argumento do princípio integral
argumento da crítica radical
argumento da política fraca
argumento da validade escrupular
1 argu tomo mento pêlo -
RED OR DARE
Oh red
Polish
October love
Nail
Poisoned
At red
Light
And red
House
Filth of
Sinners
Melts under
The bridge
Blood
Rivers
Run to the
seaing
I
In the tower
simply
Redding
the garments in
Shape of
S
nails
in heat womb@s
Bleed
Pledge of rain
wash
Crucified stars
away
from planet
Collared
in straw
Barry penalty
read
or There
Polish
October love
Nail
Poisoned
At red
Light
And red
House
Filth of
Sinners
Melts under
The bridge
Blood
Rivers
Run to the
seaing
I
In the tower
simply
Redding
the garments in
Shape of
S
nails
in heat womb@s
Bleed
Pledge of rain
wash
Crucified stars
away
from planet
Collared
in straw
Barry penalty
read
or There
sons
se o meu orgasmo soasse
seria como os agudos de
clarinete da língua na boquilha se
a minha gravidez soasse
seria como os agudos de
violino da barriga de Bach se
a minha entranha soasse
seria como os graves de
saxofone em coltrano desgarrado se
o meu cérebro soasse
seria como os graves de
contrabaixo em imitação de navio mas se
a minha essência tocasse
nada mais pegava que um charango,
uma guitarra eléctrica, um agogô,
uma cuíca, um tímpano, um fagote,
um oboé, um cravo, um teremim
tocando em experimentação a dissonância cativa-se
seria como os agudos de
clarinete da língua na boquilha se
a minha gravidez soasse
seria como os agudos de
violino da barriga de Bach se
a minha entranha soasse
seria como os graves de
saxofone em coltrano desgarrado se
o meu cérebro soasse
seria como os graves de
contrabaixo em imitação de navio mas se
a minha essência tocasse
nada mais pegava que um charango,
uma guitarra eléctrica, um agogô,
uma cuíca, um tímpano, um fagote,
um oboé, um cravo, um teremim
tocando em experimentação a dissonância cativa-se
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