neste diário não deixo os factos, deixo os relatos:
vou-me na epifania
deixo a maresia
vou nas palavras
deixo as amarras
vou-me no sono
deixo o tomo
vou-me vazia
deixo a Sofia
vou-me na Ângela
não rimo com nada
tanto tempo a tentar esquecer
dei por mim a não lembrar mais
a achar que não tinha por nada
o que o dado esquecido teve
nas gavetas da prateleira
primeira divisão da esquadra
direita da escrivaninha ABC
não tinha nada
encontrei algo
quando se encontra algo é
como montar as cavalitas do avô
como usar saias brancas de pintas vermelhas
como ir aos repuxos de água do jardim bebendo sôfregos
como lembrar os romances esquecidos da bonecas de trapos
como lembrar as brincadeiras de neve e as dos comboios esmagando moedas
lançando foguetes em carris
é como lembrar isto tudo
se esta fosse a exacta verdade
que
se esta fora então
teria de dizer que é como
lembrar o avô louco de Alzheimer
senhor alemão que fugiu do hospício pinhal afora
e a avó partindo lhe a cadeira na cabeça
seria lembrar perder as pernas nas brincadeiras estúpidas
fugindo dos comboios em pontes metálicas
seria como lembrar as amigas e amigos
com quem nunca mais queremos falar
seria lembrar que queríamos mesmo esquecer
mas a poesia foi feita para:
tratar as epifanias.
não para fazer as terapias
porque se assim fosse
ninguém quereria ouvir-me
eu teria de pagar ao público
para cuidar de mim
assim descuidam-me de outra forma
mortalizando os meus relatos
porque ao diário não deixo factos
tanto tempo levei a tentar esquecer
que agora já não consigo lembrar
sábado
Pessoa
Por falar em Francês
Vi a pessoa que entrou
Seu vinagrette desamarelado
Verbavando Seu Rimbaud
Por falar em Francês
Vi une pessoa re-alaranjada
Sua Cointreau imperial
Parecia bem-apeçonhada
Por falar em Francês
Vi a pessoa que matou
Seu aspirador-projéctil
Poésie à la cozinha Artaud
Por falar na pessoa
Vi um francês no plateau
Pegando a Poésie-ventríloca
Foi ele que personne matou.
Vi a pessoa que entrou
Seu vinagrette desamarelado
Verbavando Seu Rimbaud
Por falar em Francês
Vi une pessoa re-alaranjada
Sua Cointreau imperial
Parecia bem-apeçonhada
Por falar em Francês
Vi a pessoa que matou
Seu aspirador-projéctil
Poésie à la cozinha Artaud
Por falar na pessoa
Vi um francês no plateau
Pegando a Poésie-ventríloca
Foi ele que personne matou.
quarta-feira
Terra do Antes
Lá na terra do antes
O amarelo formava o pano de contra-mão
Lá na terra do antes
Os terraços afundavam sem ver o furacão
Lá na terra do antes
Os pedaços de ninguém eram logo do chão
Lá na terra do antes
Os amassos eram mercados de doce mamão
Lá na terra do antes
As galinhas comiam caviar mingau de pão
Lá na terra do antes
O depois foi surrado e morto pelo Então
Lá na terra do antes
Tudo desmoronava se tomava sim com não
O amarelo formava o pano de contra-mão
Lá na terra do antes
Os terraços afundavam sem ver o furacão
Lá na terra do antes
Os pedaços de ninguém eram logo do chão
Lá na terra do antes
Os amassos eram mercados de doce mamão
Lá na terra do antes
As galinhas comiam caviar mingau de pão
Lá na terra do antes
O depois foi surrado e morto pelo Então
Lá na terra do antes
Tudo desmoronava se tomava sim com não
navegando à distância
Navio naufragado do amor
Não parte é glória quente
Os peixes brotavam do mar
Como fios de coral da serpente
Oh sereia do mar: meu canto
Teceu sua roupa mais íntima
Como teceria a pele carnuda
Deste pulsante coração
Quem me vem desgovernado
Sem medida para amamentar
As bocas da vida dos amantes
Toda as tropas de luar
Por todos se fazem querer
Me fazem querer andar
Sem dizer aos informantes
Este é meu naufragar
Não parte é glória quente
Os peixes brotavam do mar
Como fios de coral da serpente
Oh sereia do mar: meu canto
Teceu sua roupa mais íntima
Como teceria a pele carnuda
Deste pulsante coração
Quem me vem desgovernado
Sem medida para amamentar
As bocas da vida dos amantes
Toda as tropas de luar
Por todos se fazem querer
Me fazem querer andar
Sem dizer aos informantes
Este é meu naufragar
terça-feira
Do lugar
Vai para um lugar
Onde a largura supere o comprimento
E os cumprimentos todos
Eles desnecessários
Superem a altura dos teus contrários
E onde os contrariados
Todos eles necessários
Superem a profundidade dos seus cenários
E onde os cénicos desprovidos de contexto
Superem os santos dos seus relicários
E onde as relíquias com seu pretexto
Alcancem os seus deuses
Dos seus próprios imaginários
Vai para um lugar
Onde não estejas.
Sejas.
Onde a largura supere o comprimento
E os cumprimentos todos
Eles desnecessários
Superem a altura dos teus contrários
E onde os contrariados
Todos eles necessários
Superem a profundidade dos seus cenários
E onde os cénicos desprovidos de contexto
Superem os santos dos seus relicários
E onde as relíquias com seu pretexto
Alcancem os seus deuses
Dos seus próprios imaginários
Vai para um lugar
Onde não estejas.
Sejas.
A estocástica ficção duma polpa de tomate
E a polpa perguntou:
se o cano for canónico,
a cona é cónica?
Logo
o coma é cómico
logo
a cola é cólica
logo
é lógico?
Ele é trigo
Joio de vivre
Crónica de Portugal
(des) composto
Nome começamos por D
Todos em Linha
Canetas Roxas
Unhas avermelhadas
Duas riscas de luz
7 tiros na Torre
Uma grande avestruz
Mostarda
No sofá
No banco
Na mesa na cadeira
Esparguete com camarão
E a polpa de tomate?
A noite foi dura
Morte de Jane Grey
Tarântula criatura do Lago
- Get Carter -
Massys, Vermeer, Delaroche
I coca so cógita
“Padeceu de paixão ilíaca”
Se eu me vier
Logo vómito
L’Elixir du Mont St. Michel
Le Rhum St. Christophe
La Route de Saint Gapour
E polpa de tomate?
Não se aceite da mãe
A lata da Deeta
Pérola e cigarros
- Revival nights -
AF Inc.
Numa fábrica escondida
Em qualquer Texas
A fachada é a indústria
Duma Polpa de tomate
se o cano for canónico,
a cona é cónica?
Logo
o coma é cómico
logo
a cola é cólica
logo
é lógico?
Ele é trigo
Joio de vivre
Crónica de Portugal
(des) composto
Nome começamos por D
Todos em Linha
Canetas Roxas
Unhas avermelhadas
Duas riscas de luz
7 tiros na Torre
Uma grande avestruz
Mostarda
No sofá
No banco
Na mesa na cadeira
Esparguete com camarão
E a polpa de tomate?
A noite foi dura
Morte de Jane Grey
Tarântula criatura do Lago
- Get Carter -
Massys, Vermeer, Delaroche
I coca so cógita
“Padeceu de paixão ilíaca”
Se eu me vier
Logo vómito
L’Elixir du Mont St. Michel
Le Rhum St. Christophe
La Route de Saint Gapour
E polpa de tomate?
Não se aceite da mãe
A lata da Deeta
Pérola e cigarros
- Revival nights -
AF Inc.
Numa fábrica escondida
Em qualquer Texas
A fachada é a indústria
Duma Polpa de tomate
Da condição
Se a flecha da vida em nada te satisfaz
Se o moinho da Boémia água cereal traz
Se a inércia da física a nada te conduz
Se a ânsia paragem o dilema te seduz
Se no lume molhado a chama descende
Se no vértigo desmoído o fio se desprende
Se da carroça desgovernada o boi não se retarda
Se no baixo insonor a palheta não se agarra
Se o credo do trabalho ao aro não acorre
Se no caderno diário o roto nada foge
Se o andar condicionado na rua não fica
Se a tua vida em nada pratica
É porque o nada com nada se desfaz
Espera!
Eventualmente morrerás.
Se o moinho da Boémia água cereal traz
Se a inércia da física a nada te conduz
Se a ânsia paragem o dilema te seduz
Se no lume molhado a chama descende
Se no vértigo desmoído o fio se desprende
Se da carroça desgovernada o boi não se retarda
Se no baixo insonor a palheta não se agarra
Se o credo do trabalho ao aro não acorre
Se no caderno diário o roto nada foge
Se o andar condicionado na rua não fica
Se a tua vida em nada pratica
É porque o nada com nada se desfaz
Espera!
Eventualmente morrerás.
Tic-tac c'est tactique
Oh Tic-tac:
You make so táctil
…
Onde estava o tempo
Quando a hora veio embora
Quanta flor-de-minuto
Se este espinho me demora
Quanto pau dessa arara
Voa na linha de prata
Onde estava o espaço
Quando o tempo veio agora
Quanta espada-meto-à-cinta
Se essa régua me esfola
Quando a coça dessa vara
Espalha o sangue da lata
Onde foi o relógio da rosa
Dos ventos da mata
Tic-tac chicote de tempo
Erva daninha brota do cio
Tic-tac do gato-grilo
Palha suja baixo o mio
Tic-atc unhas na carne
Som desgarrado no frio
Tica-tac de neve caindo
Lago segundo de arrepio
Onde estava o anel desflorado,
Quando o tempo me largou no altar?
Quanta era o broto de laranjeira,
Onde a inocência me deixou escapar?
Se o tempo e o lugar
Fogem em dois tempos e em três passos
Vai por aí
Como quem vai
No outro tempo do outro lugar
...
Eles me fazem
Tactique
You make so táctil
…
Onde estava o tempo
Quando a hora veio embora
Quanta flor-de-minuto
Se este espinho me demora
Quanto pau dessa arara
Voa na linha de prata
Onde estava o espaço
Quando o tempo veio agora
Quanta espada-meto-à-cinta
Se essa régua me esfola
Quando a coça dessa vara
Espalha o sangue da lata
Onde foi o relógio da rosa
Dos ventos da mata
Tic-tac chicote de tempo
Erva daninha brota do cio
Tic-tac do gato-grilo
Palha suja baixo o mio
Tic-atc unhas na carne
Som desgarrado no frio
Tica-tac de neve caindo
Lago segundo de arrepio
Onde estava o anel desflorado,
Quando o tempo me largou no altar?
Quanta era o broto de laranjeira,
Onde a inocência me deixou escapar?
Se o tempo e o lugar
Fogem em dois tempos e em três passos
Vai por aí
Como quem vai
No outro tempo do outro lugar
...
Eles me fazem
Tactique
sexta-feira
o som de fundo interfere na minha televisão
tudo tem um fim?
excepto talvez a própria existência, de tudo, da vida, da coisa
poderíamos ter inexistência
não-ser
uma contradição hegeliana
ou uma lei bioquímica
ou postulado termodinâmico
porque a entropia deste universo
tende a aumentar
e a vida organiza-se pela maior desordem em seu torno
o Caos, esse primordial deus helénico, o protogono primeiro
está no entorno da vida mas não como desordem pura
é que a vida nasce da geração crescente de liberdade
e o nada na variação de espontaneidade gerou
aleatoriamente cisões
como quando se separam dois quarks e eles voltam
ou com muita força geram mais dois
a primeira cisão de Nix, o ovo cósmico
e Erebus, a escuridão
nos órficos
o vácuo, a matéria negra
e depois da cisão, a união
nascem os gases, a luz
e o que conhecemos mais?
pouco mais do que já era...
ou seja sabemos desde diversas teogonias
as metáforas da
perceber a origem de vida
mas e a finalidade da vida?
não seria de esperar ou é tão espontâneo que não tem fim?
ou dizer que não há variação de espontaneidade
seria provar a própria existência de deus?
ou não se coloca questão à Roda nem ao Fio
porque não somos moiras e essa tarefa está acima de nós?
e só os que desceram como Orfeu e voltaram
e os que como Morfeu podem moldar
são atravessados pelo som de fundo
e sabem o que vai dar na televisão
excepto talvez a própria existência, de tudo, da vida, da coisa
poderíamos ter inexistência
não-ser
uma contradição hegeliana
ou uma lei bioquímica
ou postulado termodinâmico
porque a entropia deste universo
tende a aumentar
e a vida organiza-se pela maior desordem em seu torno
o Caos, esse primordial deus helénico, o protogono primeiro
está no entorno da vida mas não como desordem pura
é que a vida nasce da geração crescente de liberdade
e o nada na variação de espontaneidade gerou
aleatoriamente cisões
como quando se separam dois quarks e eles voltam
ou com muita força geram mais dois
a primeira cisão de Nix, o ovo cósmico
e Erebus, a escuridão
nos órficos
o vácuo, a matéria negra
e depois da cisão, a união
nascem os gases, a luz
e o que conhecemos mais?
pouco mais do que já era...
ou seja sabemos desde diversas teogonias
as metáforas da
perceber a origem de vida
mas e a finalidade da vida?
não seria de esperar ou é tão espontâneo que não tem fim?
ou dizer que não há variação de espontaneidade
seria provar a própria existência de deus?
ou não se coloca questão à Roda nem ao Fio
porque não somos moiras e essa tarefa está acima de nós?
e só os que desceram como Orfeu e voltaram
e os que como Morfeu podem moldar
são atravessados pelo som de fundo
e sabem o que vai dar na televisão
quinta-feira
a quanto está lã?
8 quilos é o peso da excrescência
que vai fora ao beco com um balde
leva-me num carrinho de mão e deita-me fora também...
tudo o que está a mais do que definido como menos é inútil
e tudo o que seja um instrumento de trabalho do teu ser é útil
para que cresça grande e forte e robusto
sê uma ovelha branca e pastosa e leva-te
com o teu cão de guarda que te oriente bem
até que te enterre os dentes no lombo
bem espero que o faça
sou primário e essencialista - eu sou o lobo
admito a vingança e a cobrança, a cólera e o cio
abate-se em mim o infortúnio de ser forçado a admitir
tudo o que as outras peças de lã não admitem
abate-se-me dizer-se que as abato quando
elas só pastam e quando os pastores só lhes levam a lã
se calhar sou ovelha negra ronhosa na família dos gados
quando se abate e não se admite, dedico duas cuspidelas
e que as ovelhas não sejam abatidas mas que nunca mais tenham lã
depois de perdida a função, para que servem a quem só sabe servido?
e o servo desse servir saberá quanto me custa a mim a lã?
saberá alguma do pasto não seguir o cão de guarda?
saberá alguma não se render à tosquia nem à erva?
saberá alguma que não sabe nada com essa vida de gado?
que vai fora ao beco com um balde
leva-me num carrinho de mão e deita-me fora também...
tudo o que está a mais do que definido como menos é inútil
e tudo o que seja um instrumento de trabalho do teu ser é útil
para que cresça grande e forte e robusto
sê uma ovelha branca e pastosa e leva-te
com o teu cão de guarda que te oriente bem
até que te enterre os dentes no lombo
bem espero que o faça
sou primário e essencialista - eu sou o lobo
admito a vingança e a cobrança, a cólera e o cio
abate-se em mim o infortúnio de ser forçado a admitir
tudo o que as outras peças de lã não admitem
abate-se-me dizer-se que as abato quando
elas só pastam e quando os pastores só lhes levam a lã
se calhar sou ovelha negra ronhosa na família dos gados
quando se abate e não se admite, dedico duas cuspidelas
e que as ovelhas não sejam abatidas mas que nunca mais tenham lã
depois de perdida a função, para que servem a quem só sabe servido?
e o servo desse servir saberá quanto me custa a mim a lã?
saberá alguma do pasto não seguir o cão de guarda?
saberá alguma não se render à tosquia nem à erva?
saberá alguma que não sabe nada com essa vida de gado?
sexta-feira
metáfora do espelho
um ovo chocado por um cão disfarçado de podólogo
brincava com o gato que gostava mais
fazia-lhe tranças nos cabelos que não tinha
por arrancados mas como se fossem colar
ofereceu-o à fada dos dentes perdidos
que trabalhava para os chineses
os pendentes pareciam olhos arrancados
do algodão branco, era ele lavado de neve
fugiu para as amoras doces
o corpo e a boca bordavam
rasgados os gessos às cores
para não tocar no collant rasgado
no século XVIII os abanicos
pareciam pompoms revirados
como numa aula à saída ir jogar à apanhada
um ballet fazia meninas doces
vez uma
era
uma vez
um vez um, um
um vez dois, dois
brincava com o gato que gostava mais
fazia-lhe tranças nos cabelos que não tinha
por arrancados mas como se fossem colar
ofereceu-o à fada dos dentes perdidos
que trabalhava para os chineses
os pendentes pareciam olhos arrancados
do algodão branco, era ele lavado de neve
fugiu para as amoras doces
o corpo e a boca bordavam
rasgados os gessos às cores
para não tocar no collant rasgado
no século XVIII os abanicos
pareciam pompoms revirados
como numa aula à saída ir jogar à apanhada
um ballet fazia meninas doces
vez uma
era
uma vez
um vez um, um
um vez dois, dois
contrário ao leme
maiores mamas as tem
quem sempre ganha
que amor, graça tem,
as mulheres todas de...
e desamor de crueldade de amor
meu
metades duas
ódio
e amor são
se sei
não e leva-me onde sei
não indolente voo este
ausência tua na que diz-me
só amor meu
ódio e amor do lado outro
p
desfaz-se descarnado metade
há amor um quando
é amor meu
amor de metade outra
ajunto
corra ele que queres
não se jorre sangue nosso
o que queres não se alado demónio
amarras as
solta-me
montanha
na
sozinho paga, submundo, ao amor do raio
o dar atreveu-se que prometeu
este
afrodite te explodi
depois exalei
depois acendi-te
depois respirei
primeiro
acontecer isso foi como
e... metano nu fósforo
de
e oxigénio nu chama
de se consumiu molhado
costa dá largo ao passo
que este amor o é
ser, não poder, não por, é apenas
e é que o tudo que pocilga na
encharque-me que até divagando aí
por vou eu que correr-me
deixa e normal de e paranormal
de sobnatural de
e sobrenatural de relativo
e absoluto de coisa
qualquer menos
sê perdão ou me condeno
imposto desapareciemnto ou te condeno
espião
um ser me condeno vida minha
na inexistência há
te condeno amado
menos ou mais
forte
menos baixo
mais ser a comanda-me
presença tua
amas
tresanda pocilga a ausência
tua na que terra
da coroa impuseste-me
sol de raio que sei não
que é me liberta
mas sente
cora
chora
implora
nasce
morre
te fuga
foge
voa
te muda
sai
ti
detenho como quadratura
em lua e sol
do tenho raiva tanta
e tempo mesmo ao amor
meu
o com criar
e destruir de poema
no como ácidos
em te desfigurar
de ponto ao tanto
odeio
e amo-te
não sabe quem revoltas
as
inodor o desprezo-o
feidade a abstinência
a infelicidade a contracção -a
excursões as incursões
as voltas as
carinho o cheiro
o sexo o corpo -o
descontração -a
estilo-o
beleza
a ti
de tudo odeio
e ti em tudo adoro
deslambido aquele
é amor meu
amor de metade outra
minha
mas proibido
aquele é amor meu
amor de metade outra.
quem sempre ganha
que amor, graça tem,
as mulheres todas de...
e desamor de crueldade de amor
meu
metades duas
ódio
e amor são
se sei
não e leva-me onde sei
não indolente voo este
ausência tua na que diz-me
só amor meu
ódio e amor do lado outro
p
desfaz-se descarnado metade
há amor um quando
é amor meu
amor de metade outra
ajunto
corra ele que queres
não se jorre sangue nosso
o que queres não se alado demónio
amarras as
solta-me
montanha
na
sozinho paga, submundo, ao amor do raio
o dar atreveu-se que prometeu
este
afrodite te explodi
depois exalei
depois acendi-te
depois respirei
primeiro
acontecer isso foi como
e... metano nu fósforo
de
e oxigénio nu chama
de se consumiu molhado
costa dá largo ao passo
que este amor o é
ser, não poder, não por, é apenas
e é que o tudo que pocilga na
encharque-me que até divagando aí
por vou eu que correr-me
deixa e normal de e paranormal
de sobnatural de
e sobrenatural de relativo
e absoluto de coisa
qualquer menos
sê perdão ou me condeno
imposto desapareciemnto ou te condeno
espião
um ser me condeno vida minha
na inexistência há
te condeno amado
menos ou mais
forte
menos baixo
mais ser a comanda-me
presença tua
amas
tresanda pocilga a ausência
tua na que terra
da coroa impuseste-me
sol de raio que sei não
que é me liberta
mas sente
cora
chora
implora
nasce
morre
te fuga
foge
voa
te muda
sai
ti
detenho como quadratura
em lua e sol
do tenho raiva tanta
e tempo mesmo ao amor
meu
o com criar
e destruir de poema
no como ácidos
em te desfigurar
de ponto ao tanto
odeio
e amo-te
não sabe quem revoltas
as
inodor o desprezo-o
feidade a abstinência
a infelicidade a contracção -a
excursões as incursões
as voltas as
carinho o cheiro
o sexo o corpo -o
descontração -a
estilo-o
beleza
a ti
de tudo odeio
e ti em tudo adoro
deslambido aquele
é amor meu
amor de metade outra
minha
mas proibido
aquele é amor meu
amor de metade outra.
quinta-feira
Semillas sucumbidas a la luna
Bajo la luna fría
Por la noche
Vagueo buscando
Las semillas del algodón
Más blanco y puro
Para que me traiga
Alguien que no conozco
Bajo la luna calda
Por la noche
Me voy buscando
Las semillas del corazón
Puede que alguien las haya
Cogido e tomado
Para que se muera
En mi condición
Bajo la luna oscura
Por la noche
Estoy buscando
Las semillas en un rincón
Puede alguien estar allí
Esperando-me lloroso
Para que le bese los ojos
Y se coja mi perdón
Es que he sembrado
La oscuridad por la noche
Y ya no sé lo que busco
Ni nadie lo sabrá
Y me marcho por la calle
Temblando porque mis lagrimas
No más riegan las semillas
Aunque no paran de jorrar
Por la noche
Vagueo buscando
Las semillas del algodón
Más blanco y puro
Para que me traiga
Alguien que no conozco
Bajo la luna calda
Por la noche
Me voy buscando
Las semillas del corazón
Puede que alguien las haya
Cogido e tomado
Para que se muera
En mi condición
Bajo la luna oscura
Por la noche
Estoy buscando
Las semillas en un rincón
Puede alguien estar allí
Esperando-me lloroso
Para que le bese los ojos
Y se coja mi perdón
Es que he sembrado
La oscuridad por la noche
Y ya no sé lo que busco
Ni nadie lo sabrá
Y me marcho por la calle
Temblando porque mis lagrimas
No más riegan las semillas
Aunque no paran de jorrar
sopro de vida
quando o sopro da vida me tocou na face
e me deu a essência do lado fêmea
da árvore da vida
esqueceu-se de me dar a calma
quando o sopro da vida me tocou no tronco
e me deu a essência da tormenta
sobre o lago
esqueceu-se de me dar a sensatez
quando o sopro da vida me tocou na mão
e me deu a essência do fogo
sobre o metal
esqueceu-se de me dar a frieza
quando o sopro da vida me tocou no pé
e me deu a essência da marcha
dos fortes sobre o mundo
esqueceu-se de me dar a humildade
quando o sopro da vida me tocou nos lábios
e me deu a essência da soberania
sobre a carne e o éter
esqueceu-se de me dar a sobriedade
quando o sopro da vida me tocou na orelha
e me deu a essência das doze
cordas sobre a manta
esqueceu-se de me dar a ingenuidade
e quando o sopro da vida me insuflou a alma
com a essência do amor
universal e a bola de ouro
esqueceu-se de me dar a chave
é que o sopro da vida se deixou
levar e não me deu os artíficos
que as minhas sete essências podem alcançar
é quando o sopro voltar e me levar a vida
não me toma as essências
que ofereceu mas nem os artíficios
porque eles já não estarão lá
e me deu a essência do lado fêmea
da árvore da vida
esqueceu-se de me dar a calma
quando o sopro da vida me tocou no tronco
e me deu a essência da tormenta
sobre o lago
esqueceu-se de me dar a sensatez
quando o sopro da vida me tocou na mão
e me deu a essência do fogo
sobre o metal
esqueceu-se de me dar a frieza
quando o sopro da vida me tocou no pé
e me deu a essência da marcha
dos fortes sobre o mundo
esqueceu-se de me dar a humildade
quando o sopro da vida me tocou nos lábios
e me deu a essência da soberania
sobre a carne e o éter
esqueceu-se de me dar a sobriedade
quando o sopro da vida me tocou na orelha
e me deu a essência das doze
cordas sobre a manta
esqueceu-se de me dar a ingenuidade
e quando o sopro da vida me insuflou a alma
com a essência do amor
universal e a bola de ouro
esqueceu-se de me dar a chave
é que o sopro da vida se deixou
levar e não me deu os artíficos
que as minhas sete essências podem alcançar
é quando o sopro voltar e me levar a vida
não me toma as essências
que ofereceu mas nem os artíficios
porque eles já não estarão lá
terça-feira
Reify Me
When the wine is red
And the rhythm
Is blue
I loose my mind
And start digging you
Don’t know why
I have this groove
So please
Don’t beg my pardon
If you say no, no, no
Perform my show
Perform this show
And show me what you got
Don’t think you’re ready
For this fellow
Don’t theorize this time
It’s my, my, my business
It’s mine
Operate this thing
Wild thinking
Methodic girl
Metallic girl
Mechanic girl
I’m writing down
A lyric for you
Well, not yet, no
Scotch, scotch, scotch,
Oh, make me fool
Microphone,
Mike O’Phrone
Make a fun, fun, fun,
Call
A gun
A call
A fun
A taste
A booty
Call
Me, papi
Purple hurdle
Pink sweet
Purposely
In a think sink
Spectacle
Spectactor
Spectacularious
Hilarious
Aries haze
So funk, funk, funk
And the rhythm
Is blue
I loose my mind
And start digging you
Don’t know why
I have this groove
So please
Don’t beg my pardon
If you say no, no, no
Perform my show
Perform this show
And show me what you got
Don’t think you’re ready
For this fellow
Don’t theorize this time
It’s my, my, my business
It’s mine
Operate this thing
Wild thinking
Methodic girl
Metallic girl
Mechanic girl
I’m writing down
A lyric for you
Well, not yet, no
Scotch, scotch, scotch,
Oh, make me fool
Microphone,
Mike O’Phrone
Make a fun, fun, fun,
Call
A gun
A call
A fun
A taste
A booty
Call
Me, papi
Purple hurdle
Pink sweet
Purposely
In a think sink
Spectacle
Spectactor
Spectacularious
Hilarious
Aries haze
So funk, funk, funk
um arguto momento pelo -
pelo:
argumento da experiência
argumento da proporcionalidade
argumento do paradoxo in extremis
argumento da contradição de termos
argumento do exercício de poder
argumento do exercício do prazer
menos:
argumento da idade
argumento do paternalismo
argumento do princípio integral
argumento da crítica radical
argumento da política fraca
argumento da validade escrupular
1 argu tomo mento pêlo -
argumento da experiência
argumento da proporcionalidade
argumento do paradoxo in extremis
argumento da contradição de termos
argumento do exercício de poder
argumento do exercício do prazer
menos:
argumento da idade
argumento do paternalismo
argumento do princípio integral
argumento da crítica radical
argumento da política fraca
argumento da validade escrupular
1 argu tomo mento pêlo -
RED OR DARE
Oh red
Polish
October love
Nail
Poisoned
At red
Light
And red
House
Filth of
Sinners
Melts under
The bridge
Blood
Rivers
Run to the
seaing
I
In the tower
simply
Redding
the garments in
Shape of
S
nails
in heat womb@s
Bleed
Pledge of rain
wash
Crucified stars
away
from planet
Collared
in straw
Barry penalty
read
or There
Polish
October love
Nail
Poisoned
At red
Light
And red
House
Filth of
Sinners
Melts under
The bridge
Blood
Rivers
Run to the
seaing
I
In the tower
simply
Redding
the garments in
Shape of
S
nails
in heat womb@s
Bleed
Pledge of rain
wash
Crucified stars
away
from planet
Collared
in straw
Barry penalty
read
or There
sons
se o meu orgasmo soasse
seria como os agudos de
clarinete da língua na boquilha se
a minha gravidez soasse
seria como os agudos de
violino da barriga de Bach se
a minha entranha soasse
seria como os graves de
saxofone em coltrano desgarrado se
o meu cérebro soasse
seria como os graves de
contrabaixo em imitação de navio mas se
a minha essência tocasse
nada mais pegava que um charango,
uma guitarra eléctrica, um agogô,
uma cuíca, um tímpano, um fagote,
um oboé, um cravo, um teremim
tocando em experimentação a dissonância cativa-se
seria como os agudos de
clarinete da língua na boquilha se
a minha gravidez soasse
seria como os agudos de
violino da barriga de Bach se
a minha entranha soasse
seria como os graves de
saxofone em coltrano desgarrado se
o meu cérebro soasse
seria como os graves de
contrabaixo em imitação de navio mas se
a minha essência tocasse
nada mais pegava que um charango,
uma guitarra eléctrica, um agogô,
uma cuíca, um tímpano, um fagote,
um oboé, um cravo, um teremim
tocando em experimentação a dissonância cativa-se
sexta-feira
Minha Cabala
Prosa de café
Conversas triangulares-adas
Qual a origem da condição humana?
Qual a relação entre religião, ciência, filosofia, senso comum?
Todas as cosmovisões, todas as formas de conhecimento
Logo de política como governo da vida
E da sua compreensão da realidade para torná-la
Tolerável, comensurável
Depois de política como exercício de poder sobre os recursos
E de forma auto-justificativa a explicação.
De política ainda como delimitação e manutenção de espécie
O bem e o mal, o nós e o outro
As três aplicações do poder de espécie humana sobre o mundo
E o seu padrão
Por altura de Zoroastra e Mani passou a vingar
Nas dicotomias, na linearidade e no monoteísmo
As velhas artes pagãs, públicas, colectivas
Onde os bichos, os homens, os deuses e os espíritos
Habitavam no mesmo espaço-tempo
Foram ocultas e incorporadas na dominação
dos grandes blocos monolíticos do saber e poder
mas coincidindo nos números, nas datas, nas palavras
a humanidade de padronizar tudo,
buscar novos padrões,
analisando-os pelo padrão…
A espécie que vingou no terreno da dominação,
Com as suas artes, ofícios e saberes
E lá fizemos o silogismo e a retórica de encontrar
Pungentes oximoros da informática binária
0 de se evitar acabar a certo ponto
1 de se evitar voltar ao mesmo ponto
A linearidade do vector cujo sentido apenas aponta
Ao futuro progresso mas não só a dois hemisférios
Se fez a história já que
na triangulação há
2 de se evitar desconhecer a razão do ponto
A tese, a antítese, a síntese
dos sistematizadores Hegelianos
caminha de 0 para 1, o paradoxo,
De 1 para 2 e de 2 para 0
Estabelecem o Homem
O ponto, a linha, a superfície do espaço
Desenhando e inscrevendo no símbolo
Do triângulo invertido (o X passado a Y)
Quem caminha de 2 para 1, de 1 a 0 e de 0 a 2
As mulheres fazendo a rotação
da energia no sentido oposto
mas inscrevendo igualmente
o mesmo símbolo mas não invertido
(o X consistente)
Os dois desdobrados do mesmo pensamento,
Estabelecendo esse padrão adquirem as
Três dimensões de espaço
formando a quarta da ampulheta
de dimensão de tempo
e nessas várias ampulhetas
por sua vez desdobradas se
fazem as cadeias das cordas fundamentais
por cada triângulo até aos quatro
somando as 12 casas
mas cuja completude em trino só se adquire
mediante o seguinte no quadrado
3 por 4 e 4 por 3
fazem as cordas fundamentais
do menor e do maior,
a rede do mundo explicável ao humano:
espaço terreno, tempo sensitivo, ´
matéria substantiva, caos etéreo.
Este é o nosso arquitecto:
o padrão sistémico que explica
a condição humana e todas a relações
entre saberes e deles com o poder
e dos humanos no mundo com o universo,
e por isso apenas até às 12 cordas
das casas.
A cada três dimensões multiplicado
por si mesmas, temos os nove números.
A cada par de quadrados, sendo o primeiro
quarto sempre o próximo do seguinte
temos os oito elementos.
Vamos até às doze cordas capazes de reconhecer
oito substâncias inferiores mais quatro das
potenciais superiores, faltam as restantes
quatro: o último quadrado cabala.
E olhando de cima é um círculo
12 casas em grauº por três,
8 elementos de cada trino de ângulo a 45º
4 partes de quadrado em grauºpelos números,
todos iguais a 360º
olhando de dentro é o ponto nulo
do número, da runa, do grau º em si mesmo.
Conversas triangulares-adas
Qual a origem da condição humana?
Qual a relação entre religião, ciência, filosofia, senso comum?
Todas as cosmovisões, todas as formas de conhecimento
Logo de política como governo da vida
E da sua compreensão da realidade para torná-la
Tolerável, comensurável
Depois de política como exercício de poder sobre os recursos
E de forma auto-justificativa a explicação.
De política ainda como delimitação e manutenção de espécie
O bem e o mal, o nós e o outro
As três aplicações do poder de espécie humana sobre o mundo
E o seu padrão
Por altura de Zoroastra e Mani passou a vingar
Nas dicotomias, na linearidade e no monoteísmo
As velhas artes pagãs, públicas, colectivas
Onde os bichos, os homens, os deuses e os espíritos
Habitavam no mesmo espaço-tempo
Foram ocultas e incorporadas na dominação
dos grandes blocos monolíticos do saber e poder
mas coincidindo nos números, nas datas, nas palavras
a humanidade de padronizar tudo,
buscar novos padrões,
analisando-os pelo padrão…
A espécie que vingou no terreno da dominação,
Com as suas artes, ofícios e saberes
E lá fizemos o silogismo e a retórica de encontrar
Pungentes oximoros da informática binária
0 de se evitar acabar a certo ponto
1 de se evitar voltar ao mesmo ponto
A linearidade do vector cujo sentido apenas aponta
Ao futuro progresso mas não só a dois hemisférios
Se fez a história já que
na triangulação há
2 de se evitar desconhecer a razão do ponto
A tese, a antítese, a síntese
dos sistematizadores Hegelianos
caminha de 0 para 1, o paradoxo,
De 1 para 2 e de 2 para 0
Estabelecem o Homem
O ponto, a linha, a superfície do espaço
Desenhando e inscrevendo no símbolo
Do triângulo invertido (o X passado a Y)
Quem caminha de 2 para 1, de 1 a 0 e de 0 a 2
As mulheres fazendo a rotação
da energia no sentido oposto
mas inscrevendo igualmente
o mesmo símbolo mas não invertido
(o X consistente)
Os dois desdobrados do mesmo pensamento,
Estabelecendo esse padrão adquirem as
Três dimensões de espaço
formando a quarta da ampulheta
de dimensão de tempo
e nessas várias ampulhetas
por sua vez desdobradas se
fazem as cadeias das cordas fundamentais
por cada triângulo até aos quatro
somando as 12 casas
mas cuja completude em trino só se adquire
mediante o seguinte no quadrado
3 por 4 e 4 por 3
fazem as cordas fundamentais
do menor e do maior,
a rede do mundo explicável ao humano:
espaço terreno, tempo sensitivo, ´
matéria substantiva, caos etéreo.
Este é o nosso arquitecto:
o padrão sistémico que explica
a condição humana e todas a relações
entre saberes e deles com o poder
e dos humanos no mundo com o universo,
e por isso apenas até às 12 cordas
das casas.
A cada três dimensões multiplicado
por si mesmas, temos os nove números.
A cada par de quadrados, sendo o primeiro
quarto sempre o próximo do seguinte
temos os oito elementos.
Vamos até às doze cordas capazes de reconhecer
oito substâncias inferiores mais quatro das
potenciais superiores, faltam as restantes
quatro: o último quadrado cabala.
E olhando de cima é um círculo
12 casas em grauº por três,
8 elementos de cada trino de ângulo a 45º
4 partes de quadrado em grauºpelos números,
todos iguais a 360º
olhando de dentro é o ponto nulo
do número, da runa, do grau º em si mesmo.
quinta-feira
Vómito, Diarreia, Suor
A Troika da excrecência humana:
Vómito, Diarreia, Suor.
A febre pode ser poética,
O ranho dramático,
e o pus uma forma verbal...
Mas nada supera a combinação que dá direito a uma triologia.
E pensar que em mim me vejo
...cai no poisoning
Pensei que os hedonitas anarquistas eram imunes
ou charmingly auto-imunes
mas talvez
- como em todos os padrões se alcança sempre o paradoxo maior -
sejam os mais vulneráveis
Não por risco, mas determinante, da saúde e falta dela.
Passemos ao narrador.
Tudo começa quando menos se espera como uma invisível gota que cai em potência num copo cheio algo já estaria fragilizado e temos o azar de comer algo catalogado como fresco e até biológico mas que não foi bem curado ou conservado ou cozinhado ora a gente come isto e durante um tempo satisfaz-se e apraz o gosto até dá aquela sensação de enfartamento cardíaco mas depois de umas quantas viagens e a vida e o cansaço de mais do mesmo junto à turbulência é inevitável o primeiro enjoo procuramos ir até ao cubículo sanitário tentar atribuir causas aos efeitos expelir algo à força mas nada e então quando mais se espera novamente já prevenidos pela sensação pegamos no saco recipiente ou qualquer auxiliar salivando a espera é tortuosa e quase já sentimos os suores a taquicardia não da boa mas da tensão quebrada e vai dai já aterramos e já passou o momento e é depois da turbulência que vem o vómito primário aquele de 300 ml que ainda assim já supera o limite internacional é possível que como no meu caso este vómito seja sinalizador de que houve um forte ataque ao sistema embora o anarco-hedonista não tenha e vai dai vomitei já à frente das mãe e do professor provavelmente uma das poucas regras existentes para uma vida minimamente conforme passando a preposição depois ingressados na viagem de volta sobre rodas com menos delongas e chegamos ao destino de um hotel simpático acolhedor dá-se um corrida infernal ao primeiro sanitário disponível para o vómito exorcista aquele que desentope tudo e os sistema sujando tudo em volta procurando livra-se do patogénico infiltrado passados um cigarros e alguma auto-comiseração percebemos que se deu ali alguma alívio indo para o quarto em busca de descanso no descaso da progressão esperando acordar no dia seguinte e eis que se dá o vómito major onde já não há sólidos nem líquidos toleráveis e pensamos “bem algum alívio se deu aqui” mas como controleiros que somos pensamos “é melhor trazer o balde para junto da cama” e trazemos e logo nesta medida de precaução somos surpreendidos pela diarreia ultra-líquida gasosa e putrefacta bom a mérda do agente bacteriano platónico passou a barreira e já nos atravessou à segunda via e voltamos para a cama mas eis que chegámos ao deserto da desidratação bebemos bebemos bebemos bebemos para ver se acalma a coisa litros muitos imensos demasiados só já não é suficiente porque uma vez bem intoxicados vem o vómito do nada para encher o balde aproximado aquele que sai qualquer coisa que entre ar nada água nada o que for altura em que começamos a sentir calor suores frios taquicardias a febre instala-se o delírio é complexo não conseguimos dormir no quarto porque já não passamos da latrina quando fechamos os olhos de tão cansados por breves instantes sonhamos com frutas deliciosas: laranjas, melão, limão, alperces, goiabas, uvas, morangos, framboesas, romãs e a nossa mente devora-os a todos individual e colectivamente acordamos e continuamos com sede e com febre vómito e diarreia e vamo-nos deixando ficar e suamos e sujamos e cheiramos mal começamos a abdicar da individualidade auto suficiente em alguma momento recorrendo aos outros para justificar a ausência a uma ocasião importante recorrendo ao outro para que cuide de nós recorrendo ao outro para admitir que precisamos de ajuda para superar o estado e algum alquimista sensato diz que o processo de exorcização não deve ser interrompido apenas repor o sal mineral etc e tal tomamos um destes de sabor e aroma odiosos de soro eventualmente até nos acalmando ventre igualmente eventualmente temos um belo serviço de quartos que nos traz à caminha o sumo de laranja e as frutas com que sonhámos apetecidas colas para superar a desistência do líquido em nós e repousamos até tare mas até quando acordamos sentimo-nos algo sujos suados o vómito passou mas cheira e há vestígios do crime em mais que um lugar é patético sim tomamos um banho de banheira e tiramos da cara o morto vivo para jantar fora aguenta-se um sopa uns sumos de amora framboesa e uma espécie de aveia do planeta vegan que nem deveria ser chamada de comida queríamos o creme bruille tostado no malte mas achamos que é demais pedindo um miserável sorvete trocado por sabor de canela bastante bastardo razoável mas do qual só vai metade face à sobremesa do outro alguns entretanto deliciados com um pavé de chocolate negro e ruibarbos acabando por nos resignarmos à nossa condição de momento onde o ilustre mete conversa e o menos ilustre da pronúncia peculiar nos explica como foi atacado nas duas vias pelas ostras e rimos rimamos aliás o jantar ainda se aguenta chove torrencialmente porra não mérda disse o ilustre pois que de mérda estava a falar embora controlando tudo e não se controla nada e meteorologia não é especialidade aceitamos dar umas corridas à chuva dando passas num cigarro desfeito acompanha o mestre correr ou andar é o mesmo quando se chega igualmente encharcado [apresento a teoria dos -10º frio bastante frio muito frio ou imenso frio são igualmente abaixo disso sempre o mesmo frio de mérda] voltamos para o quartinho mais quentinho com um adaptadorzinho e bate um soninho e bate o amor líquido da diarreia e lá vamos cem mil vezes ao cubículo mal-cheiroso com o cu em sangue ferido sabendo que é civilizado limpar e lavar aí que nos pomos a pensar o quanto aquele dejecto é amarelo aquoso putrefacto e purulento olhando para ele com a ayenção de quem já está olhando o infinito da sanita reparando que só temos memso é de puxar autoclismo das outras vezes não temos é forças para apertar o botão ou puxar a manivela ou o cordão acabando por co-habitar na mérda mas há um ponto em que já apertamos o rabo controlando a cagada e já nos dói menos o cu e até percebemos que aguentámos o jantar o pequeno-almoço o almoço e outro jantar mais apetecível do tailandês mas era exigir demais ficamos que ele no estômago ainda perto do esófago vamos vendo podemos sentir-nos até bulimic-chic ou escato-limpos bonito é ir à retrete que fica na toillette e escrever uma metáfora de mérda sobre intoxicação alimentar estilo ‘underwater love’ enquanto nos borramos borrifamos rimos rimamos e que esta cena de ‘poisoning’ vai lubrificar varrer a corrupção do sistema proporcionar o novo eu o antigo e assim se faz biopolítica
P.S. só o pensamento de um certo alimento acondicionado ao calor e luz mal confeccionado me dá azia sabendo-me perspicaz pude identificar que era aquela forma mole de ‘pastelaria-pastiche-de-nouvelle-cuisine-muito-cheap’ que me havia dado a volta à entranha estranha manha
Vómito, Diarreia, Suor.
A febre pode ser poética,
O ranho dramático,
e o pus uma forma verbal...
Mas nada supera a combinação que dá direito a uma triologia.
E pensar que em mim me vejo
...cai no poisoning
Pensei que os hedonitas anarquistas eram imunes
ou charmingly auto-imunes
mas talvez
- como em todos os padrões se alcança sempre o paradoxo maior -
sejam os mais vulneráveis
Não por risco, mas determinante, da saúde e falta dela.
Passemos ao narrador.
Tudo começa quando menos se espera como uma invisível gota que cai em potência num copo cheio algo já estaria fragilizado e temos o azar de comer algo catalogado como fresco e até biológico mas que não foi bem curado ou conservado ou cozinhado ora a gente come isto e durante um tempo satisfaz-se e apraz o gosto até dá aquela sensação de enfartamento cardíaco mas depois de umas quantas viagens e a vida e o cansaço de mais do mesmo junto à turbulência é inevitável o primeiro enjoo procuramos ir até ao cubículo sanitário tentar atribuir causas aos efeitos expelir algo à força mas nada e então quando mais se espera novamente já prevenidos pela sensação pegamos no saco recipiente ou qualquer auxiliar salivando a espera é tortuosa e quase já sentimos os suores a taquicardia não da boa mas da tensão quebrada e vai dai já aterramos e já passou o momento e é depois da turbulência que vem o vómito primário aquele de 300 ml que ainda assim já supera o limite internacional é possível que como no meu caso este vómito seja sinalizador de que houve um forte ataque ao sistema embora o anarco-hedonista não tenha e vai dai vomitei já à frente das mãe e do professor provavelmente uma das poucas regras existentes para uma vida minimamente conforme passando a preposição depois ingressados na viagem de volta sobre rodas com menos delongas e chegamos ao destino de um hotel simpático acolhedor dá-se um corrida infernal ao primeiro sanitário disponível para o vómito exorcista aquele que desentope tudo e os sistema sujando tudo em volta procurando livra-se do patogénico infiltrado passados um cigarros e alguma auto-comiseração percebemos que se deu ali alguma alívio indo para o quarto em busca de descanso no descaso da progressão esperando acordar no dia seguinte e eis que se dá o vómito major onde já não há sólidos nem líquidos toleráveis e pensamos “bem algum alívio se deu aqui” mas como controleiros que somos pensamos “é melhor trazer o balde para junto da cama” e trazemos e logo nesta medida de precaução somos surpreendidos pela diarreia ultra-líquida gasosa e putrefacta bom a mérda do agente bacteriano platónico passou a barreira e já nos atravessou à segunda via e voltamos para a cama mas eis que chegámos ao deserto da desidratação bebemos bebemos bebemos bebemos para ver se acalma a coisa litros muitos imensos demasiados só já não é suficiente porque uma vez bem intoxicados vem o vómito do nada para encher o balde aproximado aquele que sai qualquer coisa que entre ar nada água nada o que for altura em que começamos a sentir calor suores frios taquicardias a febre instala-se o delírio é complexo não conseguimos dormir no quarto porque já não passamos da latrina quando fechamos os olhos de tão cansados por breves instantes sonhamos com frutas deliciosas: laranjas, melão, limão, alperces, goiabas, uvas, morangos, framboesas, romãs e a nossa mente devora-os a todos individual e colectivamente acordamos e continuamos com sede e com febre vómito e diarreia e vamo-nos deixando ficar e suamos e sujamos e cheiramos mal começamos a abdicar da individualidade auto suficiente em alguma momento recorrendo aos outros para justificar a ausência a uma ocasião importante recorrendo ao outro para que cuide de nós recorrendo ao outro para admitir que precisamos de ajuda para superar o estado e algum alquimista sensato diz que o processo de exorcização não deve ser interrompido apenas repor o sal mineral etc e tal tomamos um destes de sabor e aroma odiosos de soro eventualmente até nos acalmando ventre igualmente eventualmente temos um belo serviço de quartos que nos traz à caminha o sumo de laranja e as frutas com que sonhámos apetecidas colas para superar a desistência do líquido em nós e repousamos até tare mas até quando acordamos sentimo-nos algo sujos suados o vómito passou mas cheira e há vestígios do crime em mais que um lugar é patético sim tomamos um banho de banheira e tiramos da cara o morto vivo para jantar fora aguenta-se um sopa uns sumos de amora framboesa e uma espécie de aveia do planeta vegan que nem deveria ser chamada de comida queríamos o creme bruille tostado no malte mas achamos que é demais pedindo um miserável sorvete trocado por sabor de canela bastante bastardo razoável mas do qual só vai metade face à sobremesa do outro alguns entretanto deliciados com um pavé de chocolate negro e ruibarbos acabando por nos resignarmos à nossa condição de momento onde o ilustre mete conversa e o menos ilustre da pronúncia peculiar nos explica como foi atacado nas duas vias pelas ostras e rimos rimamos aliás o jantar ainda se aguenta chove torrencialmente porra não mérda disse o ilustre pois que de mérda estava a falar embora controlando tudo e não se controla nada e meteorologia não é especialidade aceitamos dar umas corridas à chuva dando passas num cigarro desfeito acompanha o mestre correr ou andar é o mesmo quando se chega igualmente encharcado [apresento a teoria dos -10º frio bastante frio muito frio ou imenso frio são igualmente abaixo disso sempre o mesmo frio de mérda] voltamos para o quartinho mais quentinho com um adaptadorzinho e bate um soninho e bate o amor líquido da diarreia e lá vamos cem mil vezes ao cubículo mal-cheiroso com o cu em sangue ferido sabendo que é civilizado limpar e lavar aí que nos pomos a pensar o quanto aquele dejecto é amarelo aquoso putrefacto e purulento olhando para ele com a ayenção de quem já está olhando o infinito da sanita reparando que só temos memso é de puxar autoclismo das outras vezes não temos é forças para apertar o botão ou puxar a manivela ou o cordão acabando por co-habitar na mérda mas há um ponto em que já apertamos o rabo controlando a cagada e já nos dói menos o cu e até percebemos que aguentámos o jantar o pequeno-almoço o almoço e outro jantar mais apetecível do tailandês mas era exigir demais ficamos que ele no estômago ainda perto do esófago vamos vendo podemos sentir-nos até bulimic-chic ou escato-limpos bonito é ir à retrete que fica na toillette e escrever uma metáfora de mérda sobre intoxicação alimentar estilo ‘underwater love’ enquanto nos borramos borrifamos rimos rimamos e que esta cena de ‘poisoning’ vai lubrificar varrer a corrupção do sistema proporcionar o novo eu o antigo e assim se faz biopolítica
P.S. só o pensamento de um certo alimento acondicionado ao calor e luz mal confeccionado me dá azia sabendo-me perspicaz pude identificar que era aquela forma mole de ‘pastelaria-pastiche-de-nouvelle-cuisine-muito-cheap’ que me havia dado a volta à entranha estranha manha
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