quinta-feira

a quanto está lã?

8 quilos é o peso da excrescência
que vai fora ao beco com um balde
leva-me num carrinho de mão e deita-me fora também...
tudo o que está a mais do que definido como menos é inútil
e tudo o que seja um instrumento de trabalho do teu ser é útil
para que cresça grande e forte e robusto

sê uma ovelha branca e pastosa e leva-te
com o teu cão de guarda que te oriente bem
até que te enterre os dentes no lombo
bem espero que o faça
sou primário e essencialista - eu sou o lobo
admito a vingança e a cobrança, a cólera e o cio

abate-se em mim o infortúnio de ser forçado a admitir
tudo o que as outras peças de lã não admitem
abate-se-me dizer-se que as abato quando
elas só pastam e quando os pastores só lhes levam a lã
se calhar sou ovelha negra ronhosa na família dos gados
quando se abate e não se admite, dedico duas cuspidelas

e que as ovelhas não sejam abatidas mas que nunca mais tenham lã
depois de perdida a função, para que servem a quem só sabe servido?
e o servo desse servir saberá quanto me custa a mim a lã?
saberá alguma do pasto não seguir o cão de guarda?
saberá alguma não se render à tosquia nem à erva?
saberá alguma que não sabe nada com essa vida de gado?

sexta-feira

metáfora do espelho

um ovo chocado por um cão disfarçado de podólogo
brincava com o gato que gostava mais
fazia-lhe tranças nos cabelos que não tinha
por arrancados mas como se fossem colar

ofereceu-o à fada dos dentes perdidos
que trabalhava para os chineses
os pendentes pareciam olhos arrancados
do algodão branco, era ele lavado de neve

fugiu para as amoras doces
o corpo e a boca bordavam
rasgados os gessos às cores
para não tocar no collant rasgado

no século XVIII os abanicos
pareciam pompoms revirados
como numa aula à saída ir jogar à apanhada
um ballet fazia meninas doces

vez uma
era
uma vez
um vez um, um
um vez dois, dois

contrário ao leme

maiores mamas as tem
quem sempre ganha
que amor, graça tem,
as mulheres todas de...
e desamor de crueldade de amor
meu
metades duas
ódio
e amor são
se sei
não e leva-me onde sei
não indolente voo este
ausência tua na que diz-me
só amor meu
ódio e amor do lado outro
p
desfaz-se descarnado metade
há amor um quando
é amor meu
amor de metade outra
ajunto
corra ele que queres
não se jorre sangue nosso
o que queres não se alado demónio
amarras as
solta-me
montanha
na
sozinho paga, submundo, ao amor do raio
o dar atreveu-se que prometeu
este
afrodite te explodi
depois exalei
depois acendi-te
depois respirei
primeiro
acontecer isso foi como
e... metano nu fósforo
de
e oxigénio nu chama
de se consumiu molhado
costa dá largo ao passo
que este amor o é
ser, não poder, não por, é apenas
e é que o tudo que pocilga na
encharque-me que até divagando aí
por vou eu que correr-me
deixa e normal de e paranormal
de sobnatural de
e sobrenatural de relativo
e absoluto de coisa
qualquer menos
sê perdão ou me condeno
imposto desapareciemnto ou te condeno
espião
um ser me condeno vida minha
na inexistência há
te condeno amado
menos ou mais
forte
menos baixo
mais ser a comanda-me
presença tua
amas
tresanda pocilga a ausência
tua na que terra
da coroa impuseste-me
sol de raio que sei não
que é me liberta
mas sente
cora
chora
implora
nasce
morre
te fuga
foge
voa
te muda
sai
ti
detenho como quadratura
em lua e sol
do tenho raiva tanta
e tempo mesmo ao amor
meu
o com criar
e destruir de poema
no como ácidos
em te desfigurar
de ponto ao tanto
odeio
e amo-te
não sabe quem revoltas
as
inodor o desprezo-o
feidade a abstinência
a infelicidade a contracção -a
excursões as incursões
as voltas as
carinho o cheiro
o sexo o corpo -o
descontração -a
estilo-o
beleza
a ti
de tudo odeio
e ti em tudo adoro
deslambido aquele
é amor meu
amor de metade outra
minha
mas proibido
aquele é amor meu
amor de metade outra.

quinta-feira

Semillas sucumbidas a la luna

Bajo la luna fría
Por la noche
Vagueo buscando
Las semillas del algodón
Más blanco y puro
Para que me traiga
Alguien que no conozco
Bajo la luna calda
Por la noche
Me voy buscando
Las semillas del corazón
Puede que alguien las haya
Cogido e tomado
Para que se muera
En mi condición
Bajo la luna oscura
Por la noche
Estoy buscando
Las semillas en un rincón
Puede alguien estar allí
Esperando-me lloroso
Para que le bese los ojos
Y se coja mi perdón
Es que he sembrado
La oscuridad por la noche
Y ya no sé lo que busco
Ni nadie lo sabrá
Y me marcho por la calle
Temblando porque mis lagrimas
No más riegan las semillas
Aunque no paran de jorrar

sopro de vida

quando o sopro da vida me tocou na face
e me deu a essência do lado fêmea
da árvore da vida
esqueceu-se de me dar a calma
quando o sopro da vida me tocou no tronco
e me deu a essência da tormenta
sobre o lago
esqueceu-se de me dar a sensatez
quando o sopro da vida me tocou na mão
e me deu a essência do fogo
sobre o metal
esqueceu-se de me dar a frieza
quando o sopro da vida me tocou no pé
e me deu a essência da marcha
dos fortes sobre o mundo
esqueceu-se de me dar a humildade
quando o sopro da vida me tocou nos lábios
e me deu a essência da soberania
sobre a carne e o éter
esqueceu-se de me dar a sobriedade
quando o sopro da vida me tocou na orelha
e me deu a essência das doze
cordas sobre a manta
esqueceu-se de me dar a ingenuidade
e quando o sopro da vida me insuflou a alma
com a essência do amor
universal e a bola de ouro
esqueceu-se de me dar a chave
é que o sopro da vida se deixou
levar e não me deu os artíficos
que as minhas sete essências podem alcançar
é quando o sopro voltar e me levar a vida
não me toma as essências
que ofereceu mas nem os artíficios
porque eles já não estarão lá

terça-feira

Reify Me

When the wine is red
And the rhythm
Is blue
I loose my mind
And start digging you
Don’t know why
I have this groove
So please
Don’t beg my pardon
If you say no, no, no
Perform my show
Perform this show
And show me what you got
Don’t think you’re ready
For this fellow
Don’t theorize this time
It’s my, my, my business
It’s mine
Operate this thing
Wild thinking
Methodic girl
Metallic girl
Mechanic girl
I’m writing down
A lyric for you
Well, not yet, no
Scotch, scotch, scotch,
Oh, make me fool
Microphone,
Mike O’Phrone
Make a fun, fun, fun,
Call
A gun
A call
A fun
A taste
A booty
Call
Me, papi
Purple hurdle
Pink sweet
Purposely
In a think sink
Spectacle
Spectactor
Spectacularious
Hilarious
Aries haze
So funk, funk, funk

um arguto momento pelo -

pelo:
argumento da experiência
argumento da proporcionalidade
argumento do paradoxo in extremis
argumento da contradição de termos
argumento do exercício de poder
argumento do exercício do prazer
menos:
argumento da idade
argumento do paternalismo
argumento do princípio integral
argumento da crítica radical
argumento da política fraca
argumento da validade escrupular

1 argu tomo mento pêlo -

RED OR DARE

Oh red
Polish
October love
Nail
Poisoned
At red
Light
And red
House
Filth of
Sinners
Melts under
The bridge
Blood
Rivers
Run to the
seaing
I
In the tower
simply
Redding
the garments in
Shape of
S
nails
in heat womb@s
Bleed
Pledge of rain
wash
Crucified stars
away
from planet
Collared
in straw
Barry penalty
read
or There

sons

se o meu orgasmo soasse
seria como os agudos de
clarinete da língua na boquilha se
a minha gravidez soasse
seria como os agudos de
violino da barriga de Bach se
a minha entranha soasse
seria como os graves de
saxofone em coltrano desgarrado se
o meu cérebro soasse
seria como os graves de
contrabaixo em imitação de navio mas se
a minha essência tocasse
nada mais pegava que um charango,
uma guitarra eléctrica, um agogô,
uma cuíca, um tímpano, um fagote,
um oboé, um cravo, um teremim
tocando em experimentação a dissonância cativa-se

sexta-feira

Minha Cabala

Prosa de café
Conversas triangulares-adas
Qual a origem da condição humana?
Qual a relação entre religião, ciência, filosofia, senso comum?
Todas as cosmovisões, todas as formas de conhecimento
Logo de política como governo da vida
E da sua compreensão da realidade para torná-la
Tolerável, comensurável
Depois de política como exercício de poder sobre os recursos
E de forma auto-justificativa a explicação.
De política ainda como delimitação e manutenção de espécie
O bem e o mal, o nós e o outro
As três aplicações do poder de espécie humana sobre o mundo
E o seu padrão
Por altura de Zoroastra e Mani passou a vingar
Nas dicotomias, na linearidade e no monoteísmo
As velhas artes pagãs, públicas, colectivas
Onde os bichos, os homens, os deuses e os espíritos
Habitavam no mesmo espaço-tempo
Foram ocultas e incorporadas na dominação
dos grandes blocos monolíticos do saber e poder
mas coincidindo nos números, nas datas, nas palavras
a humanidade de padronizar tudo,
buscar novos padrões,
analisando-os pelo padrão…
A espécie que vingou no terreno da dominação,
Com as suas artes, ofícios e saberes
E lá fizemos o silogismo e a retórica de encontrar
Pungentes oximoros da informática binária
0 de se evitar acabar a certo ponto
1 de se evitar voltar ao mesmo ponto
A linearidade do vector cujo sentido apenas aponta
Ao futuro progresso mas não só a dois hemisférios
Se fez a história já que
na triangulação há
2 de se evitar desconhecer a razão do ponto
A tese, a antítese, a síntese
dos sistematizadores Hegelianos
caminha de 0 para 1, o paradoxo,
De 1 para 2 e de 2 para 0
Estabelecem o Homem
O ponto, a linha, a superfície do espaço
Desenhando e inscrevendo no símbolo
Do triângulo invertido (o X passado a Y)
Quem caminha de 2 para 1, de 1 a 0 e de 0 a 2
As mulheres fazendo a rotação
da energia no sentido oposto
mas inscrevendo igualmente
o mesmo símbolo mas não invertido
(o X consistente)
Os dois desdobrados do mesmo pensamento,
Estabelecendo esse padrão adquirem as
Três dimensões de espaço
formando a quarta da ampulheta
de dimensão de tempo
e nessas várias ampulhetas
por sua vez desdobradas se
fazem as cadeias das cordas fundamentais
por cada triângulo até aos quatro
somando as 12 casas
mas cuja completude em trino só se adquire
mediante o seguinte no quadrado
3 por 4 e 4 por 3
fazem as cordas fundamentais
do menor e do maior,
a rede do mundo explicável ao humano:
espaço terreno, tempo sensitivo, ´
matéria substantiva, caos etéreo.
Este é o nosso arquitecto:
o padrão sistémico que explica
a condição humana e todas a relações
entre saberes e deles com o poder
e dos humanos no mundo com o universo,
e por isso apenas até às 12 cordas
das casas.
A cada três dimensões multiplicado
por si mesmas, temos os nove números.
A cada par de quadrados, sendo o primeiro
quarto sempre o próximo do seguinte
temos os oito elementos.
Vamos até às doze cordas capazes de reconhecer
oito substâncias inferiores mais quatro das
potenciais superiores, faltam as restantes
quatro: o último quadrado cabala.
E olhando de cima é um círculo
12 casas em grauº por três,
8 elementos de cada trino de ângulo a 45º
4 partes de quadrado em grauºpelos números,
todos iguais a 360º
olhando de dentro é o ponto nulo
do número, da runa, do grau º em si mesmo.

quinta-feira

Vómito, Diarreia, Suor

A Troika da excrecência humana:
Vómito, Diarreia, Suor.
A febre pode ser poética,
O ranho dramático,
e o pus uma forma verbal...
Mas nada supera a combinação que dá direito a uma triologia.
E pensar que em mim me vejo
...cai no poisoning
Pensei que os hedonitas anarquistas eram imunes
ou charmingly auto-imunes
mas talvez
- como em todos os padrões se alcança sempre o paradoxo maior -
sejam os mais vulneráveis
Não por risco, mas determinante, da saúde e falta dela.
Passemos ao narrador.
Tudo começa quando menos se espera como uma invisível gota que cai em potência num copo cheio algo já estaria fragilizado e temos o azar de comer algo catalogado como fresco e até biológico mas que não foi bem curado ou conservado ou cozinhado ora a gente come isto e durante um tempo satisfaz-se e apraz o gosto até dá aquela sensação de enfartamento cardíaco mas depois de umas quantas viagens e a vida e o cansaço de mais do mesmo junto à turbulência é inevitável o primeiro enjoo procuramos ir até ao cubículo sanitário tentar atribuir causas aos efeitos expelir algo à força mas nada e então quando mais se espera novamente já prevenidos pela sensação pegamos no saco recipiente ou qualquer auxiliar salivando a espera é tortuosa e quase já sentimos os suores a taquicardia não da boa mas da tensão quebrada e vai dai já aterramos e já passou o momento e é depois da turbulência que vem o vómito primário aquele de 300 ml que ainda assim já supera o limite internacional é possível que como no meu caso este vómito seja sinalizador de que houve um forte ataque ao sistema embora o anarco-hedonista não tenha e vai dai vomitei já à frente das mãe e do professor provavelmente uma das poucas regras existentes para uma vida minimamente conforme passando a preposição depois ingressados na viagem de volta sobre rodas com menos delongas e chegamos ao destino de um hotel simpático acolhedor dá-se um corrida infernal ao primeiro sanitário disponível para o vómito exorcista aquele que desentope tudo e os sistema sujando tudo em volta procurando livra-se do patogénico infiltrado passados um cigarros e alguma auto-comiseração percebemos que se deu ali alguma alívio indo para o quarto em busca de descanso no descaso da progressão esperando acordar no dia seguinte e eis que se dá o vómito major onde já não há sólidos nem líquidos toleráveis e pensamos “bem algum alívio se deu aqui” mas como controleiros que somos pensamos “é melhor trazer o balde para junto da cama” e trazemos e logo nesta medida de precaução somos surpreendidos pela diarreia ultra-líquida gasosa e putrefacta bom a mérda do agente bacteriano platónico passou a barreira e já nos atravessou à segunda via e voltamos para a cama mas eis que chegámos ao deserto da desidratação bebemos bebemos bebemos bebemos para ver se acalma a coisa litros muitos imensos demasiados só já não é suficiente porque uma vez bem intoxicados vem o vómito do nada para encher o balde aproximado aquele que sai qualquer coisa que entre ar nada água nada o que for altura em que começamos a sentir calor suores frios taquicardias a febre instala-se o delírio é complexo não conseguimos dormir no quarto porque já não passamos da latrina quando fechamos os olhos de tão cansados por breves instantes sonhamos com frutas deliciosas: laranjas, melão, limão, alperces, goiabas, uvas, morangos, framboesas, romãs e a nossa mente devora-os a todos individual e colectivamente acordamos e continuamos com sede e com febre vómito e diarreia e vamo-nos deixando ficar e suamos e sujamos e cheiramos mal começamos a abdicar da individualidade auto suficiente em alguma momento recorrendo aos outros para justificar a ausência a uma ocasião importante recorrendo ao outro para que cuide de nós recorrendo ao outro para admitir que precisamos de ajuda para superar o estado e algum alquimista sensato diz que o processo de exorcização não deve ser interrompido apenas repor o sal mineral etc e tal tomamos um destes de sabor e aroma odiosos de soro eventualmente até nos acalmando ventre igualmente eventualmente temos um belo serviço de quartos que nos traz à caminha o sumo de laranja e as frutas com que sonhámos apetecidas colas para superar a desistência do líquido em nós e repousamos até tare mas até quando acordamos sentimo-nos algo sujos suados o vómito passou mas cheira e há vestígios do crime em mais que um lugar é patético sim tomamos um banho de banheira e tiramos da cara o morto vivo para jantar fora aguenta-se um sopa uns sumos de amora framboesa e uma espécie de aveia do planeta vegan que nem deveria ser chamada de comida queríamos o creme bruille tostado no malte mas achamos que é demais pedindo um miserável sorvete trocado por sabor de canela bastante bastardo razoável mas do qual só vai metade face à sobremesa do outro alguns entretanto deliciados com um pavé de chocolate negro e ruibarbos acabando por nos resignarmos à nossa condição de momento onde o ilustre mete conversa e o menos ilustre da pronúncia peculiar nos explica como foi atacado nas duas vias pelas ostras e rimos rimamos aliás o jantar ainda se aguenta chove torrencialmente porra não mérda disse o ilustre pois que de mérda estava a falar embora controlando tudo e não se controla nada e meteorologia não é especialidade aceitamos dar umas corridas à chuva dando passas num cigarro desfeito acompanha o mestre correr ou andar é o mesmo quando se chega igualmente encharcado [apresento a teoria dos -10º frio bastante frio muito frio ou imenso frio são igualmente abaixo disso sempre o mesmo frio de mérda] voltamos para o quartinho mais quentinho com um adaptadorzinho e bate um soninho e bate o amor líquido da diarreia e lá vamos cem mil vezes ao cubículo mal-cheiroso com o cu em sangue ferido sabendo que é civilizado limpar e lavar aí que nos pomos a pensar o quanto aquele dejecto é amarelo aquoso putrefacto e purulento olhando para ele com a ayenção de quem já está olhando o infinito da sanita reparando que só temos memso é de puxar autoclismo das outras vezes não temos é forças para apertar o botão ou puxar a manivela ou o cordão acabando por co-habitar na mérda mas há um ponto em que já apertamos o rabo controlando a cagada e já nos dói menos o cu e até percebemos que aguentámos o jantar o pequeno-almoço o almoço e outro jantar mais apetecível do tailandês mas era exigir demais ficamos que ele no estômago ainda perto do esófago vamos vendo podemos sentir-nos até bulimic-chic ou escato-limpos bonito é ir à retrete que fica na toillette e escrever uma metáfora de mérda sobre intoxicação alimentar estilo ‘underwater love’ enquanto nos borramos borrifamos rimos rimamos e que esta cena de ‘poisoning’ vai lubrificar varrer a corrupção do sistema proporcionar o novo eu o antigo e assim se faz biopolítica
P.S. só o pensamento de um certo alimento acondicionado ao calor e luz mal confeccionado me dá azia sabendo-me perspicaz pude identificar que era aquela forma mole de ‘pastelaria-pastiche-de-nouvelle-cuisine-muito-cheap’ que me havia dado a volta à entranha estranha manha

Manifesto Anarco-Hedonista

Marxista freudiano contra o platonismo
em vez do Belo, o Bem e a Verdade
o Bom, o Mau e o Vilão
"o desejo que é reprimido é demasiado fraco para ser reprimido"
Pelo corrompido, maculado
pelos anarquistas hedonistas
contra a sinceridade,
como que querer fumar o cigarro
só por não tê-lo!
Queremos combater a hipocrisia
de valores e depois combater os valores;
contra a autoridade que regula o prazer,
o prazer não tem mestre;
demasiado prazer não é deboche
mas felicidade;
"para quê fazer sexo com outras pessoas se podes fazê-lo com quem mais amas?"
e se pensares que isto é uma contradição
ou és estúpido, platónico ou neo-hedonista.
Mais vale um pequeno prazer, que prazer nenhum...
RESSALVA ÉTICA (EMBORA-A-ÉTICA-FODA-SEMPRE-TUDO):
o prazer implica o prazer do próximo porque o
total prazer não pode residir no total desprazer do outro.
Esta é uma das essências do prazer.
CHEGADOS AO PARADOXO: PRAZER x PODER
Remetemos esta questão ao metafísico platónico
que de bom grado se debruce sobre o Absoluto
de cada uma das Ideias.
A escrita do manifesto encerra em si mesmo o prazer,
então deixamos-lhes o debate sobre o prazer terrorista,
o prazer caritativo e o prazer de negar prazer.

sexo pelo fim do trabalho, um direito do caralho
(para os educados judaico-cristãos:
"dá prazer ao outro como darias a ti mesmo")

Coral

Cordão umbilical cortado
da matriz
Cordão humano decepado
de raiz
Cordão de lã-seda limado
de um triz
Cordão de barreiras de coral
condiz
o
condão
de Corão
Al
(de baixo para cima,
no seu reino e glória,
agora e sempre,
Ámen)

terça-feira

2012: Papado de Vulcano X

Hoje sonhei o inimaginável
Morava no Brasil dividido em duas facções política:
O pai e o filho rebelado.
Eu fui raptada pelo Caçador da Noite,
Um australiano louco que me levou para
Um esconderijo subterrâneo
Cada força lutou com o seu séquito.
Apareceu então a Gorda rainha dos Pulgões
Uma vez de boca aberta, os pulgões fluíam rapidamente
Entranhando-se em nós e atribuindo algumas qualidades
Super-humanas mas malignas… As forças só se mantinham
Pelo consumo da juventude, o destino final era a morte.
Atracada entre a Gorda e o Caçador, arquitectei o plano de fuga
Para que ambos se aniquilassem: colocando-me entre os dois,
Esperando pela sinalização vermelha da mira de um na testa da outra,
E dela lançando o seu efeito cortante em cima dele,
jogaria uma cadeira ao chão e caindo nele, morte dupla.
Resultou.
Da garganta degolada dela
(porque o efeito cortante lançado, deveria retornar a ela mas tendo o caçador disparado no meio dos olhos, antes de morto, não encontrou vida e lancetou-lhe o pescoço)
Saíram os pulgões, enfurecidos, descoordenados, sem morada
E temendo esta força e sem saber bem o que fazer lembrei-me do ditado
Da anciã cega “a velha magia da mulher reside nos seus cabelos”
E comi-lhe alguns cabelos caídos.
Depressa me apercebi que estava certa a sentença:
Comendo apenas os cabelos, as células mortas, tínhamos por momentos
a dádiva da força dos pulgões sem o destino final.
Lembrei-me então da razão deste rapto:
A disputa entre facções, o meu pai e o meu avô.
Voltei para a mansão, onde a vizinha me tocava piano enquanto
Eu fazia acrobacias na piscina.
Os poderes davam para triplos mortais e bíceps torcidos incríveis.
Fui delatada.
Rapidamente se alastrou a notícia dos cabelos,
todos os infectados produziam bons cabelos,
rede de exploração de qualidades...
mas a longo prazo, como tudo o que é processamento canibal,
implicava uma espécie de BSE da loucura e luxúria.
Eu mesma carregava uma bolsa de cabelos para consumir quando me cansava...
Mas tudo se tornou numa grande praga
Lembro-me de comer um estranho no sanitário,
de ter a minha irmã a lamber-me os genitais,
de intercalar sexo com vários amigos,
de beijar na boca os meus tios em troca de cigarros...
de me tornar lésbica.
De fazer contraceptivos especiais para elas e collants de griffe
para as penetrações deles.
o collant preservativo de malha ultra-densa
a sociedade ali era estranha, incomodativa e opressiva
a minha escolha sexual era perseguida
e eu mesma já não sabia o que queria
ou se era induzida pela era dos cabelos processados.
e todos acabaram à cata de réstias, de quedas, de cortes
para alimento... e o que era aquilo?
uma espinhosa decadência.
nem política se fazia mais
recordo-me depois de muito pouco.
apenas duma era aquática e de pântanos
num deles via a Lencastre afogar um recém-nascido de cal
mas assim que o tirou, a risada era insuportável
não conseguia matá-lo
lembro-me de surfar nos golfinhos
de pairar nos céus e aterrar
de levarem a velha cega, dos segredos
da Velha Arte numa charrette
se para o fuzilamento se para trabalhar nas minas não sei..
profecia: 2012, Papado de Vulcano X

jogo de plataformas

2050.
O mundo era feito de plataformas, a primeira sobre a água.
Nós, os freaks, descemos até à terra. Mas rebentou uma barragem.
O onda gigante vinha em cima de nós.
Tinha deixado todas as minhas coisas na minha caixa pessoal.
Nadei debatendo-me contra a força da água, agarrada à plataforma de aço.
Eram quase 16 andares...
Sustive a respiração o mais que pude e cheguei ao 1º nível.
Passava imensa gente, o metro, a confusão.
Dirigi-me ao primeiro guichet e pedi que recuperassem o que tinha perdido.
Ela perguntou que número era e dei o meu número de identificação pessoal.
Passado este nível tomei o primeiro metro para o centro da cidade.
Era uma cidade nova mas reconstruída para parecer medieval. Ao andar pelas vendas de rua achámos uma meia rua, que era um beco sem saída, com uma estranha meia porta também.
Depois de entrar, íamos dar à mansão de Luís XVIII.
Esta personagem vestida a rigor com sua peruca e golas brancas, com um mordomo vestido a bom rigor, mantinha na sua sala num cadeirão gigante um ogre de três metros. O monstro estava agrilhoado pelo pescoço, alimentado pelo rei a pássaros. Deu-lhe um albatroz vivo.
Vi o pobre bicho debater-se já no seu esófago, vendo a sua cabeça quase sair-lhe do tórax.
O mordomo levou-nos aos aposentos. Tínhamos mais uma prova a superar. Os quartos trancaram-se por 15 minutos e havia uma armadilha sensível à pressão que teríamos de evitar. Eu vasculhei o quarto todo… Lembro-me que os sobreviventes se reuniram num dos quartos. Uns fingiram dormir, outros, como eu, escondemo-nos por baixo da cama para tentar atacar o rei quando ele entrasse.
Lembro-me dos grilhões e mais nada.
Passámos ao terceiro nível, onde as mulheres e as sábias moravam acima do nível das árvores superiores. A sociedade era feita dumas fibras invisíveis.
Era Natal entretanto.
A minha missão seguinte era fazer um trabalho infiltrado a propósito do rapto de várias estudantes superiores para uma rede de usos sadomasoquistas do submundo onde era sempre noite. Passei a ser loira e amputada da mão direita, fui dar aulas numa dessas escolas. Lembro-me que tive de sair a noite vestida de veludo púrpura com os espetos humanos de metal raspando no chão.
Eles teriam de achar que tinha uma vida dupla para que alguém se aproximasse de mim.

sexta-feira

music fucks my head

I am lost in my Confessions Tour
I am Madonna but I haven’t the power
In me lives an alien and I can’t stand these walls of imagination
My creations start to consume me and I am exposed
My powers are vanquishing
A single mind or society isn’t enough to bear what
my existence is now able to produce
I can’t get no satisfaction,
nor can I stop till I get enough
But yes! I am so tired and damned
Spar me this burden, please
Be careful with what your children listen to.
You wouldn’t want a Maria Magdalena
lost without knowing how to love.

come around

and if that love doesn't come around?
a short story where that love doesn't come around...
that early morning when I don't sleep with a love that came around...
an evening when I don't hold a love... and it didn't came around.
what goes around comes around but it ain't no come around...
and if i go around maybe a love comes down.

um fim não justifica o meio

o poder de rasgar exercido rasgando a íntima
a violência rasgada exercida rasgando o coração
o Outro incógnito coagido rasgado como vítima
a rede que rasga a existida, na rede da coerção
o rasgador que rasga o não-rasgado ou rasgado seria de outro fado
mas se rasgou em contra-mão, não me rasgues na mão!
a pessoa-mercadoria; o sexo-porcaria; o eu-desoníria

amora, framboesa

canto o conto do campo
tanto no corner do tampo
portanto, quanto tem um canto?

aroma de amora demora
na Roma romã me mora
memória no amor em aro
roda na morada o armário

fraternidade na eternidade
de fraga sufraga na etérea
unidade da framboesa
coesa destreza umidade

hedonism

Hedonic … for the pleasure of it
Hedonic … for the pleasure of coming in and eat
Hedonic … for the pleasure of insanit_y-t
Hedonism … for my own ism of his(m) but (her)self _ism

The lost of my religion goes to myself
And the making of my confession goes to my real (is) _m
Where I lay hibernated, came and starred at the own (her) sheep
Of an old-liberal-right of being selfish in the crazy(Lock)ness